Category Archives: Cds

Therion: Luciferian Light Orchestra

Por: Rodrigo Paulino

O Therion anunciou que faria um cd de musicas francesas dos anos 50/60… O álbum foi rejeitado pelo selo com o qual eles tinha contrato, o fundador da banda decidiu que eles lançariam o cd sim, com o próprio selo, dito e feito, o álbum Les Fleurs Du Mal, com inspiração no livro proibido escrito por Baudelaire, foi lançado. Logo em seguida a banda anuncia um hiato de um bom tempo,essa notícia bateu como uma bola de demolição para os fãs da banda, Christofer Johnsson anunciou que o hiato seria longo, porque eles estariam passando um tempo compondo uma ópera.

Um show, aqui, ali e acolá, a experiente Lori Lewis (Aesma Daeva) anuncia que deixa o projeto e a banda, foi substituída por Sandra Laureano que foi substituída por Isa García Navas que foi substituída por Chiara Malvestiti (Crysalys) e a banda anunciou que Chiara estaria também envolvida na ópera e na turnê que está correndo. Ah, o Therion passa pelo Brasil dias 28 e 29 de Novembro para o encerramento de uma turnê acústica.

Bem, ao que parecia o recesso da banda seria longo, a ópera demora a sair mas… eis que Christofer tem uma carta na manga: Letras antigas do Therion, composições que foram feitas antes do Theli ser lançado e explodido na cena do metal sinfônico. O que fazer? Por que não lançar?

Johnsson contou com a participação de ex membros do Therion, corais da seita Rouge Dragons e outras pessoas que até o lançamento do álbum ficaram no anonimato e lançaram o Luciferian Light Orchestra. A proposta é simples, tem como premissa a música dos anos 70, a melodia não é das mais complexas, a voz é bem suave mas as letras tem grande peso. Temos 3 clipes até agora, confira:

Church Of Charmel
https://www.youtube.com/watch?v=qBhrJSpGQpw

Taste the Blood of the Altar Wine
https://www.youtube.com/watch?v=Lymnbd9rAZs

Dante And Diabulus
https://www.youtube.com/watch?v=utBhMxHR6a0

RESENHA: ESDRAS – MAIS PRÓXIMO DO FIM

Por: Tiago Nascimento

Com mais de 5 anos de estrada a banda Esdras não é apenas uma promessa e sim uma realidade, esta foi nossa impressão após ouvir o EP intitulado de “Mais próximo do fim”.

Formada no interior do Estado de São Paulo, na cidade de Sorocaba por Rafael Moraes (Vocal), Rafael Kenji (Guitarra), Cádio Michelsen (Baixo), Tiago Valsechi (Guitarra) e Conrado Campos (Bateria) o Esdras traz em seu EP músicas com riffs e bateria fortes não esquecendo do extraordinário baixo, um som “orquestrado” mesclando o hardcore com metal.

Todas as músicas 100% em português e retratam com muita maturidade a atualidade do país como, por exemplo, a faixa “Maria da Penha” que trata do repudio aos agressores de mulheres que não os denunciam com medo de repressão.

Um diferencial foi a produção do Tiago Hospede (guitarrista da banda Worst), onde conseguiu mesclar todos os instrumentos tirando o máximo de cada um sem abafar e deixando as linhas bem nítidas.

Com isso a banda Esdras chega ao cenário rock/metal nacional com um bom material para apreciação não somente de fãs de metal ou hardcore, mas sim de apreciadores de um bom som, agressivo e cheio de atitudes.

O Ep/Demo conta com 6 faixas
01 Snake
02 Chuva de Fogo
03 Espinhos
04 Interlude
05 Maria da Penha
06 Pote de Ouro

Para baixar e ouvir as músicas: https://soundcloud.com/bandaesdras
Mais informações sobre a banda Som do Darma e Esdras

RESENHA: DARK SARAH – BEHIND THE BLACK VEIL

Por: Rodrigo Paulino

Eu juro para vocês que antes de sentar (mentira, me deitar, tô doente e geralmente escrevo deitado) para fazer essa resenha, eu procurei a definição de “cinematic rock” ou “cinematic metal” e acabei não chegando a conclusão mais obvia do que a de que todas as músicas desse gênero ficariam lindas e bem arranjadas em qualquer filme ou um novo ramo do symphonic metal, só que mais leve. Dark Sarah é bem isso mesmo. A cantora Heidi Parviainen saiu do Amberian Dawn, ficou um tempo compondo e um belo dia nos disse que teríamos novidades… Heidi tem uma voz soprano, lembrando o estilo de Sarah Brightman e algumas vezes confundida com a também finlandesa Tarja Turunen. Heidi precisava de ajuda para lançar e gravar e o álbum e iniciou uma campanha pelo indiegogo com o fim de reunir doações para fazer o álbum, isso foi dividido em 3 partes e em cada parte ela lançava um EP com algumas musicas e recompensava as doações com presentes como camisetas, os eps conforme eram lançados e como recompensa final, o álbum em si.

Para nossa surpresa, ela começou a lançar clipes, bem produzidos e nos revelou o conceito do seu projeto, em uma tradução livre: Dark Sarah conta-nos a estória de Sarah, uma simpática jovem, que enfrenta uma das maiores crises de sua vida quando seu marido a abandona no altar com outra moça da igreja. Sarah pensa que vai morrer e ao invés de ficar em casa no tempo que lhe resta sozinha em casa, vendo a chuva cair, ela cai no chão. E por um momento em que apenas havia silêncio, apenas escuridão, até ela se levantar, tremendo. Uma máscara dispersa forma o simbolo de Horus em seu olho.

Com o olhar vidrado, ela escreve uma carta:

Olhava o mundo com meus olhos azuis, costumava amar de coração aberto mas eu era ingenua, o mundo precisava me mostrar isso. Tive raiva da minha fraqueza e raiva do mundo. Nas ondas escuras da minha mente eu fiquei mais forte, má e comecei a mudar. Trabalhei com meu medo e me tornei DARK SARAH. Não sou amarga, sou agridoce.”

A premissa impressionou, daí tivemos a primeira música liberada: “Save me”, junto com o clipe. Foi um marco que remeteu muitos a Evanescence, até a moça abrir a boca para cantar… Sua voz tão delicada e tão doce, junto de uma atmosfera tão soturna e obscura, sua voz era praticamente de lamento e tristeza. A batida cada vez mais compassada com todo o lado melódico, mas a musica tem uma progressão tão suave e doce, unido à voz suave de Heidi.AH! O sotaque dela cantando é uma gracinha. O refrão da música é como se um lapso de esperança ainda existisse para a nossa protagonista, como se ela estivesse fazendo os planos para sua vingança. O clipe todo foi gravado numa floresta, com bons takes de cena, e um final… bem, veja por si mesmo:


Save me, save me, save me ooooooooooohhhhh
Mas pera, quem precisa de ajuda mesmo?

No álbum, seguimos com Poison Apple com uma batida mais carismática, com um vocal mais limpo, as guitarras são mais presentes e a música tem mais firulas, é uma canção legal, porém bem repetitiva. Hide and Seek começa logo com um piano e voz, chega a enganar você amigo ouvinte, com a Tarja, no decorrer da musica temos a presença de flauta, que dá um acabamento bem bonito, a musica parece se tratar de uma reflexão de Sarah sobre o que lhe ocorrera, a musica possui também um efeito de coral e orquestra muito bonito e soturno (as goticaiada pira) por conta de um mid de orgão que toca bem ao fundo.

Daí novamente fomos surpreendidos por um novo clipe… A canção Memories Fall, um dueto muito caprichado com Manuella Kraller (ex- Xandria, ex-Haggard, sempre linda). Gente, foi um clipe bem simples para uma canção que arrepia quando essas duas inventam de cantar juntas, é um duele entre as duas partes de Sarah, a estrutura da musica é incrível, chega a arrepiar e a forma que ambas executam a musica é triunfal. Olha o clipe:


Manuella Kraller (sempre linda) nesse dueto de arrepiar!
Dois monstros do metal sinfônico se unem numa canção de arrepiar

Uma outra grata surpresa, foi a música Evil Roots com a participação de IngaScharf (Van Canto). Outro musicão, ela tem uma pegada de power com corais e uma coisa meio techno com a voz versátil de Inga, a voz dela é super firme, dá um efeito tão legal junto com a dela no refrão, que você fica impressionado ainda mais com a voz de Heidi. É uma canção rápida, com direito a solos de guitarra e bateria. Não teve clipe, mas teve um lyric video maroto:


“Sarah gave her soul
For the power to be cold
It’s sad but true
This is the story that’s not new
The fairest mind
That once was kind
Has now changed toooooo”

Violent Roses incia-se com a magia Disney, e sim, continua com o estilo de alguns musicais da Disney, junto com um estilo dramático de cantar tão característico, ela também te remete a musicais ao estilo Sweeney Todd, mas ganha uma guitarra e uma presente bateria no refrão, é uma mistura que deu muito certo. Se você curte musicais, vai super se identificar com esse tema, pois até risadas e pequenos monólogos são encaixados na canção, o legal que ela termina como ela começa, com aquele climinha obscuro e misterioso, de magia Disney.

Hunting The Dreamer também é daquelas que mistura o power com o vocal melódico, bateria compassada e guitarras muito bem presentes com o teclado dando pequenos toques, é uma canção muito interessante e legal. Ah sim, teve um clipe:


Sarah, pra quefazer macumba e  tacar fogo quando você pode usar Baygon?

No álbum temos a faixa Fortress em que temos a aura obscura, com a voz tão suave e com um acompanhamento tão belo da orquestração, outra daquelas que se você gosta de um pouco de teatro, vai curtir, ela tem todos os elementos do gênero, mas que te surpreende no refrão, pois ele é muito explosivo, ele é forte e aos mesmo tempo meio dramático, com corais. Silver Tree tem uma coisinha tão fofinha que te remete aos clássicos de RPG Final Fantasy, é uma viagem tão gostosinha, e logo ganha o peso sem perder a orquestração, essa musica é um espetáculo e sim, ela gruda em sua mente. Chegamos a faixa que uso como despertador! Sun, Moon And Stars ela tem uma introdução que lembra musicas do estilo New Age, mas explode sem manter o ritmo, ela também gruda na cabeça, não tinha entendido de onde eu fico cantarolando “And I recaaaalll” o dia todo. Brincadeiras à parte, o estilo combinou tão perfeitamente com a voz e a sinfonia que ela vicia.

Então a magia Disney volta, como se por pura mágica tudo desse certo em Light In You, com Tony Kakko (Sonata Arctica, The Life and Tale of Scrooge), ela é uma baladinha? SIM! Teatral? SIM! As vozes deles é tão harmônica, Kakko consegue assumir o acompanhamento sem ser muito barulhento, a guitarra é apenas um detalhe nessa canção, que coloca um adorno tão belo. Então Kakko solta a voz. É outra faixa muito agradável de se ouvir, é tão bonitinha. Confere aí o clipe:


Sarah, não taca fogo nesse não, ele tem uma luz própria.

Sarah’s theme é a faixa de encerramento do álbum, você pode facilmente imaginar as letras subindo ao final de um filme, acompanhado da doce voz com toques bem doces do piano, um leve coral e as firulas, é uma viagem ouvir essa música, é tão gostosinha que você vai querer ouvir de novo e é uma das faixas mais curtas do álbum, durando apenas 2:35.

Como bônus, Heidi decidiu colocar uma canção que nos encantou, ela é bem divertida, A Grim Christmas Story, tem toda aquela pegadinha de natal e um doce musical… bem, não tão doce… digamos, agridoce. A musica fala do natal fracassado de Sarah, quando ela descobre a traição do marido e o mata e assim vai matando todos aqueles que perguntavam sobre o marido dela, o homem do leite, a polícia, o filho do homem do leite até ser presa e finalmente matar os carcereiros e todos vão parar no fundo do mar. Essa música tem uma coisa musical também, é bem divertida, caprichada.

Dark Sarah tem o objetivo de entreter o ouvinte nesse mundo protagonizado pela raiva, é bem teatral, muito dramático em alguns momentos, mas é um bom álbum, pra quem curte o estilo cinemático é um prato cheio.

RESENHA: KAMELOT – HAVEN

Por: Rodrigo Paulino

Um dos álbuns mais esperados do meio do metal, era este, todos queriam ver como seria o legado Karevik e saiu um álbum muito bem trabalhado, muito bem composto e cheio de fibra, no entanto, muitos que ouviram o álbum sentiram falta de algo (algo que ninguém conseguiu explicar exatamente o quê), posso dizer que peso é o que não falta, Karevik está com a voz mais madura, gritando um pouco mais, e o álbum conta com uma instrumentação digna de nota e cheia de corais, sem falar na dupla que faz participações especiais em três musicas do álbum cantando: Alissa White-Gluz (ArchEnemy – ex The Agonist) e Charlotte Wessels (Delain) e do especialista em gaitas do Nightwish, Troy Donokley.

As primeiras músicas são interessantes, são fortes, no entanto Citizen Zero te prende pela introdução e instrumentação junto do teclado acompanhando a bateria e a guitarra, nessa canção notamos Karevik com um vocal diferente do que ele usou, mais firme, mais consistente e um coral que acompanha ele no refrão, as guitarras estão muito presentes, como uma locomotiva em alguns momentos, um outro ponto alto desse álbum é o coral, em um determinado momento você imagina que a música vai acabar em coral, e o refrão explode aos seus ouvidos e sim, Karevik dá uns berros fantásticos.

Outra que me chamou demais a atenção foi Under Gray Skies, na boa, a introdução de Troy com o gaita e violão é linda demais, a musica é uma baladinha, acompanhada pela flauta, violão e violoncelo, a combinação da voz de Tommy com Charlotte foi um tiro e tanto, e a progressão para a música é fantástica! As vozes conversam entre si, até mesmo quando ela faz os backing vocals, o refrão conta com guitarras, mas discretas, que só são notadas de fato com o solo, o final dessa música arrepia, coral + Wessels + Karevik, alterações de quem lidera, o sotaque lindo da Charlotte, enfim, uma obra de arte.

Ecclesia é um instrumental, seguido por My Therapy que é seguida pela imponente End of Innocence, da qual então sai Beautiful Apocalypse, outro destaque do álbum que começa com elementos do oriente médio, e contém uma sinfonia muito interessante, ela tem peso, seja nos vocais ou na instrumentação, mas o refrão é muito gostoso de se ouvir, possui um excelente acabamento de back vocal, os versos parecem uma queda livre, enquanto o refrão parece um resgate dessa queda.

Em seguida vem uma das minhas favoritas: Liar, Liar (Wasteland Monarchy), ela começa tranquila, com ar soturno e cresce ao melhor estilo power Kamelot, baterias super rápidas, com um instrumental imponente e muito maneiro. Os vocais chegam a lembrar os de Khan, mas possui algo que apenas Karevik possui na voz, a ponte que liga ao refrão é algo surreal, com pianos, calma, até uns corais masculinos (comuns no Queen), e então a explosão do refrão, um dos melhores refrões do álbum, faz você querer banguear, então a musica ganha seu solo de guitarra e bateria, bateria explosiva, riffs fantásticos, e então chegamos a uma extensão que antecede os guturais de Alissa, com todo o peso, te deixa com gostinho de quero mais… só que AÍ SOMOS SURPREENDIDOS com Alissa cantando o refrão com vocais limpos! MANO DO CÉU, se você estiver lendo a matéria e chegou neste ponto, por favor, vá atrás da música, porque você fica com vontade de ouvir mais dela cantando dessa forma, cantando limpo no power metal, a musica após tudo isso termina tranquilamente.

Here’s to fall  possui uma atmosfera tão melódica, que quando Tommy abre a boca para cantar, você se liga novamente à Khan mas o destaque vai para a faixa seguinte: Revolution, uma pegada diferente do álbum, baterias mais compassadas, firme, gritos, peso e Alissa gritando “REVOLUTION”, uma soprano soltando firulas como em Ghost Opera, a cada Revolution gritado por Alissa, conforme a musica ganha peso, ouve-se uma multidão, num momento Alissa domina a musica, com a multidão ao fundo gritando, é algo muito legal, uma experiência interessante para os ouvidos a musica perde todo o peso, e fica apenas na instrumentação e voz abafada de Tommy, em alguns momentos ele muda a escala vocal, e chega a arrepiar, para você ouvir um grotesco REVOLUTION, e voltar ao peso total… é uma musica muito forte, muito poderosa.

Chegamos em Haven, uma musica instrumental com jeito de “O álbum acabou” e realmente acaba com ela.

RESENHA: UGANGA – OPRESSOR

Por: Rodrigo Paulino

O Uganga é uma banda de trashcore que já está aí na ativa por 20 anos, possuem um som bem pesado com um vocal bem forte e super presente, com guitarras super potentes e uma grande reflexão por trás de cada composição.

O álbum Opressor começa com Guerra, aliás, a banda canta em português grande parte das músicas, o estilo do vocalista é muito parecido com o do vocalista do Sabaton, porém a música é bem pesada, com riffs presentes todos na banda formam um coro. A segunda música que destaquei, é também a segunda musica do álbum, chamada O Campo, que foi lançado numa reflexão sobre os Campos de Concentração, a letra é fantástica e o peso da música unido com a voz causa grande impacto. A faixa Moleque de Pedra é muito agressiva, contando até mesmo com guturais (em português). Logo depois, em Nas Entranhas do Sol podemos ter um pouco de vocal limpo, suave, meio perdido, porém a musica volta com todo o seu poder, é outro destaque de musica bem potente, seguido por Aos pés da grande árvore que também é uma peça fina do álbum, até mesmo os tambores que invadem a faixa noite e cresce com batidas violentas e pesadas de We are the true, um cover do Vulcano. Guerreiro, a ultima faixa é a mais calma do álbum, parece que você sai do meio de todo um caos e entra nessa atmosfera pacífica.

Opressor é um álbum bem pesado, para quem gosta de muita atitude de metal pesado e trashcore é um prato cheio os caras possuem letras bem profundas, bem boladas o instrumental deles é excelente. Acompanhei um show deles, em MG que tem no Youtube, onde eles cantavam Moleque de Pedra e você pode notar o público indo à loucura.

Tracklist:
01. Guerra
02. O Campo
03. Veredas
04. Opressor
05. Moleque de Pedra
06. Casa
07. L.F.T.
08. Modus Vivendi
09. Nas Entranhas do Sol
10. Aos Pés da Grande Árvore
11. Noite
12. Who Are The True
13. Guerreiro

RESENHA: Girlie Hell – Hit and Run!

Por: Rodrigo Paulino

Recentemente, recebemos um LP todo em vermelho com uma capa muito bem desenhada, super detalhada e ficamos na instiga de querer saber do que se tratava… Bem, primeiro fui ao excelentíssimo Sr Google e digitei Girlie Girl e me surpreendi com a qualidade do som dessas gurias.

Bullas, Carol, Fernanda e Júlia botam para quebrar nesse que elas mesmas classificam como um dos trabalhos mais pesados, em 2012 elas lançaram o álbum “Get Hard!” e tocaram em muitos festivais no país, ao lado do Sepultura, Bad Religion e Crucified Barbara.

O LP que recebemos continha duas musicas: “Gunpowder” e “Till the end”.  A sonoridade delas é simplesmente fantástica, é hard rock puro, as meninas provam que não estão para brincadeira, com guitarras pesadas, bateria bem rítmica e com um vocal… Sim, a qualidade vocal das musicas é incrível, é realmente cantado, sem firulas, sem frescuras e a voz é muito agradável.

Ah sim, o LP se chama Hit and Run.

Gunpowder é uma musica cheia de peso, o estilo old school é muito presente, cheio de energia, parece fazer as coisas derreterem a cada toque da guitarra, ao mesmo tempo o vocal forte e consistente, típico de quem canta porque gosta de cantar. O Refrão ganha um apoio das demais meninas da banda. Till the end também e bem pesada, bateria super presente, insanamente presente, o vocal nessa lembra muito o da cantora baiana Pitty, mas muito agressivo e forte.

Como a pessoa que fez essa resenha, para mim ficou meio difícil, pois me apaixonei pelo som delas desde a primeira ouvida.

RESENHA: NIGHTWISH – ENDLESS FORMS MOST BEAUTIFUL

Por: Rodrigo Paulino

Shudder before the beautiful abre o álbum com o biólogo Richard Dawkins citando um trecho de um poema, dando inicio a uma orquestra poderosa e rápida com corais. Floor entra suave, com um coral acompanhando ela e as notas começam a se desenvolver com a mesma suavidade, quando entra no pré-refrão, ela se solta e no refrão ela se solta mais um pouco, junto com Marco. Os arranjos e as vozes deles se completam de uma forma tão bela que formam uma só, logo temos os destaques para o teclado, seguido de uma guitarra que lembram as musicas mais antigas da banda, então volta a orquestra para o palco e a bateria forte, como presente em todo o Imaginaerum, violinos chorões, uma coisa bem teatral. Entra um coral que fará alguns ficarem arrepiados, e no final você ouve um destaque vocal. Dando entrada para os instrumentos de sopro pesados. Então tudo para e voltamos para o pré-refrão, gostei disso, pois cria toda uma atmosfera, uma moção apenas a voz e a musica ao fundo baixa, então as vozes ganham mais destaque nas ultimas vezes que cantam esse refrão, assim como Last Ride crescia com o decorrer da musica, essa também cresce com a união de vozes, o final tem um sustenido e firulas, digna de uma abertura de CD com a orquestra e tudo mais. Um adendo, na última segunda feira, a Nuclear Blast disponibilizou de forma totalmente gratuita o download dessa musica pelo link:  http://goo.gl/zddu9z

http://www.hs.fi/mainos/advertoriaali/nightwish/
(Imprensa finlandesa fez divulgação de Shudder)

Weak Fantasy começa bem pesada intercalado orquestração, e guitarras que te levam a sensação de queda livre, com os corais que lembram algo em The Siren e então tudo para, Floor parece audaz, essa musica tem uma pegada mais moderna, a batida dela ´muito contagiante, os corais ao fundo lembram algo gregoriano, muito baixo, então no refrão a musica simplesmente cresce, os tons das vozes firmes mas alterados, eles cantam juntos mas ao mesmo tempo parece que um adianto da voz do Marco existe. Volta ao ritimo normal, o interessante são as paradas e as voltas que a musica dá, o refrão é muito interessante, é uma musica rápida. Em certo ponto ela fica no violão celta, com os corais de teclado, e lentamente os elementos como a bateria vem aparecendo, então os corais crescem, e um tom dramático graças aos vilionos levantam a voz do Marco, parece um grande lamento, a musica desacelera, mas o violino está lá, a Floor solo, faz diminuir a canção, e ao mesmo tempo ela explode dando as caras para o refrão muito mais potente, com todos os elementos presentes, a agressividade, os corais, cada coisa alternando sua aparição e terminando de forma teatral.

Élan… eis a canção que causou mais controvérsias do que os palpites de quem havia matado Odete Roitman na novela Vale-Tudo. Eu particularmente gostei, mas trocaria ela por Sagan presente como bônus no single Élan. Élan é a palavra francesa que designa o zelo ou o impulso, grandes chances de ter se inspirado no livro “A Evolução Criadora”, de Henry Berfson, usado para explicar a força por trás da evolução.

Yours is na empty hope tem um inicio similar, porem mais leve que a primeira faixa, sua introdução faz você imaginar o inferno, de alguma forma, então temos o peso, lembrando um pouco o peso de Planet Hell, da época do álbum Once. Ela se desenvolve apenas na guitarra e bateria, com momentos de orquestra nos ápices, momentos de Floor com coral cantando em tom mais baixo, é uma musica rápida. No pré refrão Marco canta, e no refrão temos um leve gutural acompanhando Marco, sim, gutural de Floor. Voltando aos versos da musica, temos Floor deixando a voz mais rouca, acompanhado de coral novamente. Lembrando que nesse álbum, uma tendência é cada vez que esteja mais próximo do final, o refrão vai ficando mais forte. Temos um instrumental, muito bem elaborado, também teatral, dando origem aos corais em canto de sereia, ou por se tratar de uma canção inspirada na obra de Dante, O Inferno, o rio das almas, esses corais seguem de violinos, então os corais parecem inflamar com o retorno de Floor gritando rouco, voltando a algo similar ao que já vimos em Once, uma onda mais progressiva, e os dueto de vozes leva a um ápice que leva novamente ao refrão. ATENÇÃO: o refrão é grudento. O Marco dá umas risadinhas, e o final tiram o instrumental, e você ouve as vozes puramente no que são.

Our decades on the sun, o inicio dela lembra a musica do álbum do Tio Patinhas que o Tuomas compôs, é suave com pianos e coral leve. Floor a executa com tamanha delicadeza e maestria, chega a emocionar. Entrada suave da bateria com alguns acordes da guitarra e o teclado são maestrais. O tema da musica é uma citação do próprio Dawkins. Num dado momento a guitarra e o violino ficam em evidência, dando espaço para Floor se soltar mais um pouco. A musica sofre uma acelerada. Tuomas certa vez falou que essa musica tem tudo a ver com os pais. Em uma pausa repentina, as flautas de Troy aparecem, e parece que a musica volta ao inicio, a suavidez. Então ela flui apenas com orquestra e violão, facilmente imagino Floor com um vestidão prateado cantando essa parte, Marco tem uma contribuição com firulas vocais nela. Comentando com amigos, essa musica tem cara de trilha sonora de filme, e quando você pensa que ela acabou, acordes de guitarra aparecem com a flauta e firulas vocais da Floor; em alguns instantes a bateria volta com a flauta, e então ela parece que vai seguir em frente, a melodia é muito envolvente mas ela acaba suave.

My Walden é uma das minhas favoritas, começa com uma pegada tão folk, tão características apenas as vozes com uma orquestração leve, e então ela revive aquela sensação de I want my tears back. A suavidade na voz da Floor e presente também, é uma musica mais cadenciada, mas quando o refrão chega, ela engata, ela carrega uma coisa tão positiva e gostosa, que te faz pensar ser um gnomo ou um leprechaun dançando no meio da floresta. Possivelmente é inspirado num livroescrito por Henry David Thoureau, que viveu dois anos numa cabano num lago na floresta, trata da vida na natureza. Interessante que a musica volta apenas nos vocais e do nada ela explode em um instrumental totalmente folk com violão celta intercalado de teclado, uma coisa que chega a lembrar o country, o celta, o medieval… É uma canção forte e termina com um alto tom da Floor.

Endless Forms Most Beautiful, ela tem uma pegada tão moderninha que voltei para ter certeza do que eu estava ouvindo, o inicio com firulas e instrumental, para começar definitivamente com a orquestra e a guitarra, no entanto, o teclado é mais presente, e Floor canta rápido, essa musica tem um ritmo frenético, o refrão se desenvolve de forma tão gostosa, é uma musica fácil de se digerir. Logo ela volta ao peso de inicio e Floor acelera novamente a parte que cabe ao instrumental é muito interessante, o solo com coral nessa musica é simplesmente celestial, lembrando a época do Century Child, uma coisa máxima é a presença do piano nem pequeno trecho, antes de parecer que ela vai acabar, e então ela volta com tudo para o refrão, é algo bonito de se ouvir, o final dela é repentino e gracioso.

Edema Ruh é suave em seu inicio e cristalino e ele se desenvolve com as guitarras mantendo o cristalino, Floor entra novamente num tom bem suave e cadenciado, o baixo presente guia a musica, o refrão dessa musica é muito gostoso e melódico, um dueto muito bem composto, parece que todos da banda cantam juntos de tão suave e ao mesmo tempo marcante. Edema Ruh se baseia na saga “Crônica do Assassino do Rei”, são descritos como músicos e artistas  que viajam pelo mundo oferecendo suas habilidades em troca da hospitalidade, gaita de foles pode ser ouvido, muitos efeitos juntos com guitarra bem forte  rápida. Voltamos com gaita de foles e piano em grande harmonia, logo temos todos cantando de maneira tão graciosa que você deseja que a musica termine dessa forma, mas ela volta ao refrão, essa chega a emocionar, é uma composição de presença, ela é suave e vale lembrar do cristalino. E sim, temos Floor com guitarras e gaita de foles soltos no final terminando com bateria.

Alpenglow foi uma surpresa para mim, imaginei algo como uma balada, mas ela é agitadinha, começa com violinos e piano, mas ela chega em ápice com a guitarra é bem compassada, os instrumentos ficam em um plano mais distante, no entanto Floor parece enlouquecer em dado momento, e desacelera do nada, entrando no refrão. Essa coisa de agitar e diminuir do nada ficou muito legal, a musica após ao refrão volta suave, no entanto novamente, guitarra agressiva com Floor agressiva e…. ao fundo Marco canta We were here (isso vai ganhar mais sentido na última música)…. entrando no refrão agitadinho, a presença de bateria é formidável, o solo meio que abafado com sustenidos dá lugar a flauta e parecem que elas brigam pelo lugar na musica. Tudo para e Floor entra como se separasse as silabas suavemente, o refrão é cantado sem quase nada de instrumentos,  e então a progressão começa e a coisa pega fogo. O refrão forte com as vozes d Floor e Marco juntas e com tudo junto, acaba sendo um grande deleite, o final dessa musica é de presença.

The Eyes of Sharbat Gula, é um instrumental bem progressivo, começa apenas com uma batida, logo o piano ganha vida e presença com a batida, outros instrumentos vão ganhando a sua presença, o tom da musica vai mudando também. As flautas de Troy junto com a orquestração ganha seu momento, dando uma pegada folk, com firulas vocais bem suaves. Sharbat Gula foi destaque na capa da revista National Geographic, usando o sári e revelando um olhar profundo, conhecida mundialmente como a “Menina afegã”. Ah sim! Nessa musica é usado um coral infantil. Essa musica me colocou a pensar na guerra que acontece no oriente médio e tudo aquilo que crianças e mulheres como Sharbat passam com o objetivo de terem o mínimo para sobreviver, as dificuldades que enfrentam diariamente. Acaba sendo mais uma musica para reflexão, inteiramente instrumental e muito forte.

Finalmente chegamos a The greatest show on the Earth, começa com um piano melódico, porém imponente, não demonstra fragilidade, o celo também contribui para esse clima, junto com violinos, a musica se baseia numa frase de Richar Dawkins, e possui 24 minutos. A musica mantem uma calma com uma melodia misteriosa ao som de piano, violino e violoncelo até que ela explode, os instrumentos parecem remeter a explosões (similar àquela parte no refrão de Song Of Myself, progressiva em que apenas o coral canta): coisas da natureza, como trovões, como meteoros e o coral com piano tranquilizam a cena, a flauta segue a melodia de forma harmoniosa e graciosa, até surgirem novas explosões com instrumentos mais pesados, parece um bombardeio. E depois de um silencio, volta com o mesmo clima tocado, entrando com firulas da Floor, cantando como se fosse colocar alguém para dormir, lembrando o coral de sereia já citados dando inicio à musica, uma parte de gaita de foles segue e é deslumbrante o coral que se abre, como se os céus se abrissem sobre sua cabeça, logo a gaita de foles entra, com toques leves, e Dawkins começa a recitar trechos de sua obra, faz o coração dar uma tremidinha, a musica cresce num ritimo muito rápido, com todos os elementos já citados, de forma parcer uma grande cavalgada. Então os violinos aparecem dando a um vocal mais brutal, da Floor, sua voz soa de forma diferente de tudo que q você pode ter ouvido dela, é meio falada essa parte e a instrumentação é bem pesada, ela recita as leis físicas que estão presentes no mundo, então como se fosse uma trilha sonora ela se solta na musica de forma natural, o refrão é poderoso, ela se solta muito nela junto com Marco, essa musica me fez pensar no show. Voltamos na parte meio que falada da musica, dando um clima estranho mas interessante. Voltamos ao estilo cavalgado da composição, é muito gostoso ouvir eles cantarem. Uma desacelerada parece dar a paz e ao mesmo tempo a musica cresce novamente e é cortada por um momento de apenas batidas e leves corais ao fundo, que vão surgindo e crescendo com a orquestra, e cada hora um som se destaca dos instrumentos e animais são ouvidos, macacos e rugidos invadem a cena e é estranho a principio, com uma melodia tão misteriosa, chega a arrepiar e então voltamos a um ritmo parecido com Endless Forms, e Marco canta de forma rápida, intercalando com Floor e terminam cantando juntos, repetindo a dose novamente. Os violinos estão fantásticos nessa parte, Floor mostra grande potência nessa parte. A musica se solta novamente as vozes deles viram um só, novamente a musica baixa, e por alguns momentos sons tribais, mudanças para a flauta, passando por musicas da realeza e finalmente um tanto de Can can é ouvido e cortado por algo que parece ser um disparo de arma, logo a musica explode novamente (me passou todas as eras chegando até a Guerra), voltando a um ápice de vozes, é algo magistral essa orquestração, e todas as vozes se unem para cantar em uníssono: We were heeeeere…. E tudo para novamente, como as tempestades, um tempo remoto… Levemente o piano é tocado de forma suave, a flauta ganha presença de forma tímida, graciosa, piano e flauta “conversam” entre si, e tudo vai ganhando sua presença, bem como a orquestra, a bateria e Dawkins volta a recitar, com direito a tons de sinos, trombetas sopram e Dawkins continua falando, a orquestra que se faz super presente nesse momento domina a cena, chega a parecer algo que te faz lembrar de cada detalhe da capa, e você passa a refletir em toda a vida presente no mundo, e vê que é tudo belo, montanhas, animais, o sol, o universo e nosso planeta, uma canção suave surge nos 3 minutos finais da musica, tão suave que quase imperceptível, como se o vento te levasse, e Dawkins volta a falar mais um pouco e termina o álbum com som do mar, baleias pulando, golfinhos a canção regida pela natureza.

Bom, conheço a banda desde 1997. Desse tempo para cá a banda mudou um bocado, passou por transformações, tanto internas como externas, bem como seus fãs também. Esse álbum é uma cola de tudo o que eles já fizeram, se ouvir com atenção, existem partes que se parecem, elementos de um álbum que compõem esse novo álbum: uma guitarra aqui que lembra Oceanborn, um teclado que lembra Century Child, um coral que parece tal musica, guitarras ao estilo The Kinslayer e assim por diante, bem como também encontrará coisas que você jamais ouviu ou imaginou ouvir num cd do Nightwish, a introdução da musica tema mesmo me surpreendeu muito, Edema Ruh e Alpenglow me pegaram desprevenido. Esse álbum pela reação de alguns nas redes sociais parece dividir muitas opiniões, tudo o que é novo assusta na primeira vez, vi algumas pessoas que apostaram na agressividade da Floor e se decepcionaram, outros que amaram Élan e odiaram Sagan, bem como vice-versa, ainda tem muita gente tentando definir se gostou ou não do álbum, enfim, ao ouvir o álbum, ouça-o com a mente aberta, entregue-se. Como disse na minha página pessoal no Facebook, Endless não é o melhor, mas também não é o pior álbum da historia da banda, foi criada uma expectativa muito grande da união Floor e Nightwish e infelizmente o ser humano tem a tendência de criar expectativas, agora cabe ao ser humano também saber lidar com a satisfação e a insatisfação decorrente dessa expectativa. Cada elemento colocado nesse álbum, desde a musicalidade, elementos, partes das letras, Dawkins e até mesmo os sons colocados nela, fazem parte de um todo, as músicas conversam entre si. E tudo me leva a pensar em como serão executadas ao vivo com toda a energia  presença da Floor. Particularmente, gostei muito do álbum, mudaria algo nele? Sim, mudaria, mas estou contente com a proposta da banda.

Confira clicando aqui, a resenha do vídeo clipe de “Élan”.

RESENHA: ESPECIAL SOULSPELL

Por: Rodrigo Paulino

Soulpell é um projeto de rock opera criado pelo baterista Heleno Vale, no interior de São Paulo, na cidade de Lençóis Paulista, a banda contem 3 álbuns lançados que contam com convidados como Tim “Ripper” Owens, Jon Oliva, Blaze Bayley e até mesmo Amanda Somerville.

O trabalho é de qualidade, não deixando nada a dever para outros projetos do gênero como Avantasia ou até mesmo Avalon. Vamos falar um pouco dos trabalhos lançados até hoje e tratar um pouco mais sobre o conceito de cada álbum.

A LEGACY OF HONOR – ACT I

Composto por 11 faixas, é o primeiro álbum da banda, inicia-se com uma faixa instrumental, chamada The Gathering, e logo somos apresentados a uma faixa muito rápida ao melhor estilo do gênero, Age of Silence, que é simplesmente avassaladora. Troy é a típica canção de uma metal opera, é aquilo que vocês espera ouvir, contando com os maravilhosos vocais da lindíssima e carismática Daísa Munhoz (Vandroya e Inlakesh). Em Alexandria e Milvian Bridge, temos uma desacelerada, no entanto, a qualidade de composição é fantástica, a participação dos cantores é muito marcada, por exemplo, os vocais femininos e fortes são insuperáveis em Alexandria, é marcante. Outro destaque do álbum é a última canção, lembro-me de escuta ela por horas e horas quando ouvi o álbum pela primeira vez, é simplesmente uma explosão, o refrão é bem pregado, as partes de Nando Fernandes como Samael são arrepiantes, no entanto, após um instrumental, seguido por uma instrumentação cheia de violinos chorosos e que te fazem viajar, cadenciados por guitarras rítmicas, um piano, um tom irônico, risos por todos os lados, cercado de sarristas, ganham uma projeção até que entra DAISA, eu espero os segundos por esse momento em que ela canta e solta todo o potencial de sua voz, arrepia!


(Corra até os 5:50, ou imagine um clipe para essa musica com todo o conceito do álbum…)

Após falarmos dos pontos principais do álbum, vamos falar do conceito:

O primeiro álbum conta todas as visões que Tobit tem de suas vidas anteriores em diferentes lugares e épocas, vemos como coisas simples tem sua importância e se refletem no decorrer pelas suas escolhas e todas elas se tornam consequências na vida de Tobit.

LABYRINTH OF TRUTHS – ACT II

Abrindo o álbum com uma introdução mais pesada com mais peso do que o anterior, criando toda a expectativa para um grande álbum promissor. The Labyrinth Of Truths possui uma atmosfera mais pesada, porém muito elaborada, Dark Prince’s Dawn tem uma pegada de power com sinfônico, é rápida em dados momentos e o peso constante está sempre presente. Este álbum possui musicas mais longas também, com corais elaborados em muitas delas, como no caso de Amon’s Fountain. Zak Stevens e Jon Oliva marcam presença em Into the Arc of Time, uma musica que tem um marco muito importante no desenrolar da opera. O que me chamou muito a atenção na época do álbum recém lançado, foi um dueto muito do bonitinho e extremamente cativante, de Daisa uma vez, eternamente doce e bela com Lucas (o guri parece o Renato Russo cantando), é uma balada rica, com detalhes tão belos e possui um clipe!


(Adrift – Soulspell (Daísa Munhoz ft Lucas)

No conceito, temos agora o filho de Tobit, Timo interagindo e com outros personagens e remontando seu destino durante momentos históricos, como o nascimento das cruzadas, a Guerra de Troia, segunda Guerra Mundial, etc.

HOLLOW’S GATHERING – ACT III

Esse álbum é um grande sucesso, ele não é tão melhor quanto o segundo, que na minha opinião acaba por se tornar um clássico e um marco na carreira da banda. Hollow’s gathering, faixa que abre o álbum, é uma explosão, Ligia Ishitani começa de forma graciosa e harmoniosa o álbum, no entanto a voz de Daisa e um up na velocidade e no peso da canção transforma totalmente o que o ouvinte está escutando. To crawl or to fly reúne as vozes de Daisa e Manuela Saggioro com a simpática Amanda Somerville e Matt Smith, é uma canção empolgante, mas o apogeu dela é o dueto entre Amanda e Daisa. Logo em seguida em Anymore, Manuela e Daisa fazem um dueto, no entanto, Manu tem destaque merecido, é uma canção linda. Um outro destaque  está em The Dead Tree com Tim Ripper Owens, os agudos são animais! Para finalizar os destaques do álbum, temos Whispers Inside You, é uma balada para finalizar, mas as as vozes se completam de forma tão graciosa, entre Amanda e Michel, que você espera por mais e mais e mais… Só que o cd termina.


(Cadê mais dueto? Cadê mais Amanda, Daísa e Manu?)

Ainda esse ano a banda vai lançar um novo álbum com o que existe de mais forte no que se refere a vocais agudos, segundo Heleno Vale, confirmando a presença de Andre Matos. E aí como será que vai ser? A minha expectativa é bem grande. Espero que você amigo leitor do Ponto ZerØ possa ouvir também e curtir muito essa banda BR.

RESENHA: ANGRA – SECRET GARDEN

Por: Rodrigo Paulino

O som mecânico, cercado por uma atmosfera sinfônica enigmática, quebrado pelo peso das guitarras e bateria, e temos a voz inconfundível de Fabio Lione tomando conta da sinfonia com todo seu peso em Newborn Me, Angra ficou deveras mais sinfônico e mais power nessa nova fase, sabemos que Lione é referência em sua área e no seu estilo de canto, o refrão é algo maravilhoso que como costumo dizer, ele “explode na música” e causa um efeito maravilhoso, interessante a presença do teclado à lá os corais de Nightwish em Ghost Love Score na parte mais calma, no entanto, é tudo muito bonito e muito bem produzido, um estilo mais marcha militar com a bateria e um efeito legal da guitarra à lá estilo praiano e um violão muito bem tocado ao melhor estilo hispânico é muito bem encaixado antecedendo um solo muito bem executado e pesado, é de pirar. A progressão da música é fantástica é rítmica e muito bem produzida, voltamos ao refrão com toda a força, o teclado é maravilhoso em pequenos sons cristalinos seguido dos sustenidos da voz. Blackhearted Soul já carrega mais para o lado dos corais masculinos, com guitarras e baterias rápidas, a voz também segue esse estilo mais rápido, o teclado com seus efeitos cristalinos é notado, é uma musica sem duvida emblemática, rápida e cheia de pequenos detalhes, épica e empolgante. O solo dessa musica faz você se sentir numa queda livre, é incrível, no entanto já intercala em outro estilo que te leva às alturas de uma hora para a outra. Final Light tem um peso muito peculiar, apesar de ter um light no nome, ela soa muito obscura, com teclado rápido e um batuque muito interessante, pequenas notas soltas no decorrer na música, interessante quando o refrão chega, feche os olhos e sinta a voz de Lione te levar para a altura… Gosto desse efeito que a voz dele tem de brincar com essas sensações. O ritmo das guitarras permanece o mesmo, no entanto o batuque sempre é percebido, a bateria é muito presente na musica, os pratos estão gritando ali o tempo todo, mas não te deixa perceber, logo o solo que tem uma variação e uma progressão muito delicada, um riff que te arrepia, com um peso fenomenal antes da música voltar a progressão que te abraça e te levanta novamente no refrão.

Chegamos na música que tem clipe, Storm of Emotions, o tom da musica é muito positivo, posso dizer que a voz de Lione nessa musica inicia num tom tão suave, o baixo é muito nítido e a bateria é uma cereja muito bem posicionada nessa canção. No segundo refrão, a musica ganha um peso muito peculiar, até os violinos são notados, o fator surpresa é Rafael cantando essa canção, ele carrega uma impressão pessoal o que a torna muito emocionante, particularmente gostei muito da letra, da presença da bateria e teclado nela, o clipe é muito simples e vale a pena ser conferido, essa é outra música que possui aquele efeito explosão, ah! Preste a atenção no coral que se levanta, é muito lindo, é uma musica que termina da mesma forma que começa com pequenos toquinhos.

Violet sky já retorna com tons pesados, a guitarra apresentando tons rítmicos, é uma musica mais pesada, meio travadona no seu desenvolver, no entanto, é interessante de se ouvir, pela mudança nos tons da voz, a progressão dela é complexa, demorei a me acostumar com ela, mas depois que você entende a complexidade dela, você se acostuma, umas pequenas notas aqui e ali e então parece que o que amarrava música solta ela, e novamente o coral entra com uma guitarra fantástica, bateria a todo o vapor e em dado momento. Rafael também canta com grande dedicação essa canção. Então chegamos a faixa tema, algo inusitado, muito sinfônico, muito belo e delicado, esperamos por um dueto de Lione ou até mesmo de Rafael Bittencourt com Simone Simons, daí fomos surpreendidos: Simone Simons, a vocalista do Epica canta toda a música, Secret Garden seu tom é tão suave e doce, o refrão contem a guitarra em primeiro plano, enquanto no seu decorrer eles aparecem mais ao fundo, é uma musica que você fica impressionado pelo equilíbrio entre tudo, em dado momento, um piano segue apenas com a voz, um tom mais melancólico, no entanto, os instrumentos vão surgindo até que Simone e todo o resto explodem junto com todos os elementos numa mistura perfeita, você até esquece o que esperava com relação a duetos.

Upper Levels possui uma pegada mais agitada, as batucadas surgem novamente, algo mais clean até um dado momento em que o peso aparece com as guitarras meio que ao estilo de Violet Sky, ganhando um pouco de velocidade, o refrão dá uma desacelerada, e o vocal parece meio que conversar com você, logo tomando um tom mais rápido novamente. As pausas na parte cantada dão grande destaque a outros elementos que estão compondo a música. A canção em determinado momento fica apenas nas vozes e o tom do teclado, o que dá um efeito diferente e um tanto positivo na música, algo diferente, até entrar um solo gostoso de se ouvir e voltar ao baixo e a guitarra meio que despencar na musica, alçar voos, e novamente pegar a linha da canção novamente.

“Eu digo que a vida está fluindo muito além de suas veias
Muito além do tempo, muito para além do espaço
Algo que você pode sentir por dentro, mas nunca entender”

Crushing Room possui uma atmosfera de suspense, começando com teclados e depois sendo mais pesada, essa sim é um dueto com a belíssima e enérgica Doro Pesch, aplausos para essa mulher, por favor, ok. A voz rouca da dona moça nessa música é simplesmente muito perfeita, apesar de não cantar com toda a extensão vocal que sabemos que ela possui, mas forma algo muito bonito com a voz de Rafael, a musica parece que vai despencar, uma queda livre, no entanto, as batidas antes do refrão são muito fortes, cria uma expectativa muito grande para ouvir as vozes se unirem, ouvir Doro cantar ele com Rafael bem ao fundo, um solo muito doido, em um dado momento a musica ganha um tom de pedido, antes de volta ao refrão, é uma musica muito interessante, o álbum como um todo é muito bom, no entanto essa foi fantástica. Perfect Symetry possui guitarras muito rápidas, o teclado com aquele efeito que já citei, e Lione sendo Lione, hehehe, a bateria é rápida, engraçado que as coisas se tornam suaves na voz dele, mesmo que rápido, o refrão também é rápido, em dado momento uma orquestra torna tudo tão teatral e num tom dramático, que alterna com o peso de tudo, e então surge a guitarra do meio como uma tsunami, lentamente te leva para o alto, e aí tudo explode na voz, é uma canção muito interessante, e acaba rápido.

Chegamos a ultima faixa, lembrou tanto a última musica do novo álbum do Pink Floyd, o violão, as vozes de apoio, é uma musica muito bonita, pessoas emotivas serão levadas ao choro, ela possui notas de piano tão doces, e Lione praticamente te abraça com a voz, chega a parecer uma coisa meio de coral de igreja em alguns momentos, você pode esperar os caras cantarem ALELUIAH, mas isso não acontece. Silent Call, a voz de Rafael abre as asas e voa nos teclados estilo órgão, é muito bela a canção, possui toda uma energia, e fim de álbum com o órgão ecoando.

Sabemos que o Angra passou por um momento meio delicada com a mudança do vocalista da banda, ficou aquela coisa meio: Será que Lione vai levar algo do Rhapsody com ele? Vale atentar que a banda se saiu bem, diferente de muita coisa que eles fizeram antes e pode levar alguns ouvintes a reclamarem por saírem da zona de conforto e alguns até mesmo fazerem cara feia com relação a Simone cantar totalmente a música tema do álbum, eu não vi nada demais nesses elementos, é um álbum muito bem produzido, muito bem trabalhado, minunciosamente e estrategicamente trabalhado para ser mais específico. Vale muito a pena conferir esse trabalho, Rafael simplesmente arrasa, esbanja e mostra todo o potencial, que pudemos conferir em seu trabalho solo anteriormente, no entanto com grande destaque em Secret Garden.

Tracklist:
1.Newborn Me
2.Black Hearted Soul
3.Final Light
4.Storm Of Emotions
5.Violet Sky
6.Secret Garden
7.Upper Levels
8.Crushing Room
9.Perfect Symmetry
10.Silent Call

RESENHA: REPUBLICA – POINT OF NO RETURN

Por: Rodrigo Paulino

Começamos com guitarras pesadas, progressivamente a bateria aparece com um vocal bem carregado, bem heavy metal, assim começa Time to pay, característico da banda, logo a primeira ouvida é o vibrato do vocalista Leo. O álbum foi masterizado nos Estados Unidos por Stephen Marcussen, que já trabalhou com  Rolling Stones, Kiss, Black Sabbath e Foo Fighters. A canção se desenvolve com um maravilhoso solo e termina com a bateria rítmica, que logo pega gancho com Why?, uma música mais rápida, gostei muito do vocal alcançado e a presença da bateria, em um dado momento uma guitarra muito insana invade o clima da música, algo que me chama muito a atenção é a firmeza do canto na música, notamos isso mais forte no final dela, onde todos os instrumentos terminam sua participação e fica apenas a voz.

Life goes on tem todo o estilo meio árabe ou mediterrâneo, com guitarras super presentes, no entanto uma luz surge no meio da música, ela diminui o ritmo e o peso, as vozes soam tão clean, mas logo volta no ritmo normal, isso é um fato surpresa na música, é uma coisa tão gostosa de se ouvir essa variação, então a música volta novamente, essa canção é baseada no best seller de George Orwell “A Revolução dos Bichos” e possui um clipe. Change My Way possui uma batida mais rápida e é tocada com o baixo e bateria, até o refrão, onde a atenção volta para as guitarras, quando este termina, pequenas notas são liberadas no decorrer, a música é viciante, a voz é muito versátil nessa música que sai de um estilo mais pesado para um mais suave, essa faixa possui toda uma coisa praiana em determinados momentos, não sei o motivo, mas imagino essa música num episódio de CSI MIAMI. Com uma pegada mais pesada Goodbye Asshole chega com seu convidado especial, Roy Z, que já esteve com eles numa edição do Rock In Rio, Roy é guitarrista do Bruce Dickinson e Rob Halford, seu toque na música é praticamente impossível de não se identificar a música possui uma alma e um peso formidável.

The Land Of The King tem uma pegada maravilhosa, misteriosa, como se passasse dentro de uma névoa, no entanto a música ganha grande peso, o instrumental pesado e o solo junto com a voz pesada transformam essa música numa peça teatral, muito bom. No mercy começa naquela estilo de rock classic, muito tranquila, a voz sendo produzida praticamente sem esforço, simplesmente fluindo, naturalmente, uma música em tom de baladinha, gostei muito dos acordes dessa faixa, a voz continua abraçando numa variável de tons um pouco pesados e mais leves, no entanto há um solo devastador nessa canção.

Pauleira, bateria insana, guitarras presentes endoidecidas, vamos bangear? Dark Road é uma música muito potente, muito forte e rápida, é uma música que por sí possui um ritmo muito interessante, com a mesma energia que inicia, ela termina. Fuck Liars possui partes em que os backing vocals são presentes, isso deu um efeito legal na música, riffs muito interessantes em um dado momento aqui dão um up na composição.

Chegamos em El Diablo, que começa a todo o vapor, essa música possui um clipe também, pela VEVO, o seu clipe tem no roteiro desejo e luxúria. Não se engane, essa canção é cantada em inglês, essa canção é uma queda livre, gostei do ritmo dela, da forma que ela se desenrola, um solo muito poderoso e muito carregado, maravilhoso.

Track List:
01. Time To Pay
02. Why?
03. Life Goes On
04.Change My Way
05. Goodbye Asshole (feat. Roy Z)
06. The Land of The King
07. No Mercy
08. Dark Road
09. Fuck Liars
10. El Diablo

RESENHA: THE LEPRECHAUN – LONG ROAD

Por: Rodrigo Paulino

Gostaria de iniciar essa resenha com as palavras: FOLK IS NOT DEAD!

Possui diferentes influencias musicais que vão de Bob Dylan e Johnny Cash, desmantelaram o paradigma, colocaram uma guria para cantar e um violinista e assim nascia a THE LEPRECHAUN! Eles tocaram em vários festivais dentro e fora do país, graças ao seu estilo bem variado, que segundo eles, não importa se é country ou celta. No álbum que resenharei hoje, eles compuseram, tocaram, produziram e apenas a masterização ficou por conta de alguém de fora da banda.

A história por trás do álbum Long Road, segundo Eric, baixista da banda, se deu após mandar o primeiro disco para um editor de uma revista, e ele dizer por telefone que sequer havia ouvido a banda e que eles teriam uma longa estada caso quisessem que ele escrevesse uma nota sobre eles.

Long Road é um álbum acústico, gravado no interior de São Paulo e muito gostoso de se ouvir.

Batucadas, violoncelo, banjo e toda a animação, assim começamos Culprits and Victims, o canto é totalmente livre, é uma música muito contagiante, a voz sai cem muito esforço, é uma canção muito rápida, mas muito contagiante e cheia de energia. Melancholic Singings mantém o estilo de banjo e batucada com pequenas paradas, o vocal é mais doce do que na primeira música, no entanto ele flui com toda a naturalidade, essa entra para as musicas viciantes, ela possui um ritmo tão envolvente que leva você a balançar os pés e bater palmas junto com a melodia, possui um instrumental muito bem trabalhado, idêntico ao de saloons do velho oeste. Uma desacelerada entra em Dead Stars, mantendo o estilo western, engraçado que se colocasse essas faixas em um filme western seria perfeito, Dead Star, entra no estilo mais baladinha do álbum, com um vocal mais aveludado e vai crescendo no decorrer da música de maneira perfeita, junto com os demais instrumentos.

Blood Puddles lembra muito uma banda do estilo, Of Monsters And Men, uma coisa que vem me cativado cada vez mais ao folk da banda, são os vocais e a instrumentação, cada coisa tem seu tempo, cada instrumento foi pensado para sua presença na composição da música. Voltamos ao estilo saloon novamente, a batida super contagiante e o vocal que conta de They Won’t Control Our Freedon (For A Day), How Brave We Are no início tem todo o ritmo da cavalgada, no entanto a musica pega um estilo mais rápido, legal é você pegar essa canção e imaginar-se no deserto lutando contra os perigos e o calor em cima de um cavalo… Sim, essa música te leva a emoções e sensações interessantes.

Chegamos a Lemon Trees, com toda a graça e batida, com um tom melancólico e um tanto que misterioso, a voz está num tom mais alto, existe alguns gritos de guerra ao fundo, outra musica de um ritmo muito cativante. Musica de combate na cidade, presença de instrumentos marcantes na musica, a batida é muito viciante, vocalmente ela se mantem fantástica, o refrão de Hold The World é algo que vai grudar na sua mente e se manter nela por um bom tempo, um solo de bateria e gaita são colocados ali e rapidamente silenciados pela voz e uma progressão intercalada da voz com instrumentos, essa música é uma obra de arte nata! Man of Tiananmen, tem um começo mais tranquilo, harmônico, então ela explode com os instrumentos, é uma progressão muito interessante, da voz dela, é muito gostoso de se ouvir o som dessa banda, acertaram bastante no tema, nos instrumentos, na voz… É tudo tão puro e tão orgânico. Hello Stranger parece uma música que trabalha com dois ritmos diferentes, um pouco mais desacelerado, mas em dados momentos ela pega fogo, logo desacelera e pega fogo de novo, tem uma coisa tão sexy presente na voz e no estilo.

Hide your love tem aquela pegada de baladinha, apenas com o violão e o tom de voz mais baixo, doce, em momentos ela mantem a doçura na voz, a música embala, como se te preparasse para a última música do álbum, mas se tratando desta canção, ela possui uma graça tão impressa nela que você não quer que ela termine mas logo começa The Hope At The End, com sussurro, aquele clima de que está amanhecendo naquela cidade pacata onde há um tirano, com a voz mais baixa, até que a música explode, com os instrumentos, a bateria muito bem notada e colocada, ela volta novamente à paz e a bateria tocada de forma bem tranquila, até explodir novamente com todos os instrumentos e ela retorna à tranquilidade, uma certa melancolia e um silêncio, quase que seco encerra música fazendo você esperar pelo resto da música.

O que posso falar dessa banda que ouvi apenas algumas vezes e já considero pacas? O estilo Folk Western carregado de uma impressão que te faz viajar em filmes clássicos de bang bang, a voz é perfeita para o estilo, para quem curte folk, vai adorar e repetir inúmeras vezes o álbum, ouvi ele algumas vezes que passou até rápido. Recomendadíssimo!

Long Road Tracklist:

  • Culpirits and Victims
  • Melancholic Singings
  • Dead Stars
  • Blood Puddles
  • They Won’t Control Our Freedon (For A Day)
  • How Brave We Are
  • Lemom Trees
  • Hold The World
  • Man of Tiananmen
  • Hellor Stranger
  • Hide Your Love
  • The Hope At The End

A Banda é:
Fabiana Santos – Vocais
Bruno Stankevicius – Violão
Eric Fontes – Baixo
Paulo Sampaio – Violão
Rafael Schardosim – Banjo
Andrew Nathanael – Violino
Fernando Zornoff – Bateria

Confira o clipe de “Hold the World” minha musica favorita do álbum, que foi escolhida como single.

RESENHA: OVERDRIVE – OVERDRIVE

Por: Rodrigo Paulino

Hard Rock! Definição perfeita para a banda OVERDRIVE, de Curitiba, The Cave, faixa de abertura conta com a voz cativante da vocalista Fernanda Hay, sua voz é tão cativante e potente ao mesmo tempo, os instrumentos têm sua vez, mas são bem leves perto da voz dela, entra para aquele tipo de musica que eu gosto: bateria bem presente. Engraçado que mesmo tendo o peso do instrumental, o vocal dela me passa muito do blues, mas é um estilo único. A faixa Midnight Sunlight já começa a todo vapor, os instrumentos são mais presentes, o baixo tem uma grande responsabilidade, e a presença dele é muito bem notada, novamente o vocal de Fernanda rouba a cena, o refrão dessa musica é simplesmente hipnotizador, algo que me chama a atenção nos vocais é a firmeza na voz dela. O álbum como um todo tem uma abordagem bem setentista e para terminar essa musica… haja fôlego!

A próxima faixa, Love Trick, foi selecionada para ter um vídeo clipe, bateria bem rítmica, e um vocal sexy, muito bem encaixado com o ritmo da música, é algo que flui fácil e rápido. Interessante como essa musica tem o poder de te transportar para um evento em alguma lanchonete de series ou filmes americanos que se passam nos anos 70, a essência dessa banda é muito retrô, e isso é algo que é a impressão digital deles, fantástico o trabalho deles.

Logo vamos para a faixa que dá nome ao disco, nome à banda: OVERDRIVE. Começa muito bem apenas com a guitarra e a bateria ganha vida, logo depois o baixo, e logo em seguida uma explosão vocal com vibratos e sustenidos muito bem executados, a faixa tema faz juz, ouvindo com os fones chega a arrepiar os pontos altos alcançados, sem falar que no refrão, você flutua, pela leveza do vocal. Uma coisa que gosto é versatilidade vocal, e Fernanda domina isso, mostra isso para gente nessa música, até aqui, já ouvi 4 músicas e a harmonia que há entre todos os elementos da banda é simplesmente incrível. Traitor Troop é outra musica do álbum que me cativou e muito, ela começa de uma forma e termina de uma forma bem diferente, no capricho. Circe tem um poder tão grande, pois a instrumentação é muito bem colocada e o vocal é extremamente diversificado, torno a chamar a atenção para o vocal potente dessa menina, voz firme, sem deixar de ser feminina. Também vale a pena chamar a atenção para o instrumental, que acompanham o estilo dela, passam do 8 ao 80, as escalas e toda a presença de cada elemento na musica em seu devido tempo.

41 Miles fecha o álbum num clima mais tranquilo e progressivo, incrível a doçura da voz e a harmonia presentes em todo o álbum. A mistura de todos os elementos da banda nos leva a outro nível junto com a voz de Fernanda, simplesmente essa música é a cereja em cima do bolo.

Amei muito ter ouvi essa banda, simplesmente apresentou um álbum que saiu do tradicional das bandas atuais, apresentando um vocal bem maduro e muito bem elaborado, interessante quando tantos elementos conversam e entram em harmonia entre si para compor uma música, um álbum inteiro. Quero mais! Cadê? Boatos que o próximo álbum já está sendo produzido.

OVERDRIVE É
Fernanda Hay(vocals)
Luis Follmann(guitar)
Diego Porres(bass)
Joel Jr(drums)

RESENHA: BLIND GUARDIAN – BEYOND THE RED MIRROR

Por: Rodrigo Paulino

The Ninth Wave, a primeira faixa longa do álbum começa com um longo coral de arrepiar e um instrumental animal, dando entrada a voz e a presença da banda, com guitarras cadenciadas, felizmente é daquelas músicas que simplesmente te arrepiam na primeira ouvida, a presença da orquestra dá o acabamento perfeito, a variação entre os vocais e o coral são hipnotizantes. O refrão da música chega a ser ima explosão, é muito bonito, num dado momento, perto do final da musica, fica apenas no coral, sinta-se no céu. Twilight of the Gods, começa com guitarras muito presentes, o fatos orquestral antes presente em peso dá espaço para o lado power metal, a voz mais pesada, no entanto é muito bem arranjada essa faixa, o solo funciona muito bem e não é algo enjoativo. É uma música frenética do início ao fim. Prophecies já muda totalmente o contexto, no seu inicio, chegando a lembrar um pouco músicas do Queen, no entanto, ela retorna o peso para o álbum, as guitarras cadenciadas no meio da música junto com a voz são delirantes, o solo nessa música parece ser meio “perdido”, mas ele é muito bem elaborado, um deleite para os ouvidos, vale um destaque que essa faixa é muito versátil, ela começa tranquila, fica pesada e retorna para seu fim, como uma cavalgada e termina com os backing vocals.

At Edge Of Time possui toda uma atmosfera sinfônica, com guitarras lentas e bateria tranquila, mas a voz fala muito, ela ganha força, é uma faixa muito gostosa de se ouvir, logo após um “empurrãozinho” da orquestra, os metais ganham presença e a musica ganha mais vida e mais peso, o resultado pode ser até mesmo que você sorria enquanto ouve, por se deparar com algo tão belo, a orquestra faz você sentir que está diante de algo extraordinário. É uma canção tão teatral e ao mesmo tempo tão empolgante. O solo está misto com orquestra e as duas coisas se unindo para ser uma coisa só, se completando nesse instante garante uma certa ‘magia’ na música, você se convence de que essa deveria fazer parte de uma trilha sonora de um filme épico. Ashes of eternity já é mais pesada, com riffs, vocal mais pesado e bateria bem ao estilo power metal, no entanto, com a presença de corais em determinados momentos, parece que você é levado ao céu, ou aquela sensação de estar acima das nuvens, é uma canção que varia muito no estilo dela, apesar de bateria se manter no mesmo ritmo, a musica pela sua estrutura em seu decorrer surpreende. The Holy Grail é outra música de bastante peso, essa realmente começa já com peso, ao melhor estilo de power metal, bangeadores bangearão.

The throne, não sei o que me lembrou Batman, deve ser a orquestra, mas logo ela se acelera, engraçado que a música é muito rápida e possui um dos solos mais brilhantes do álbum que ouvi até agora, com a orquestra em segundo plano, o final da canção vira um duelo entre o backing vocal e a voz de fronte. Sacred Mind possui uma atmosfera interessante, é uma das músicas mais tranquilas, instrumentalmente falando, mas tem um dos vocais mais pesados, num ponto a musica fica toda cadenciada, desde a instrumentação até a voz, até ela engrenar e ficar muito sombria, uma discussão entre o bem e o mal, o solo é enlouquecedor, muito bem trebalhado. Miracle Machine é a baladinha do álbum: piano e voz, essa faixa me lembra as músicas de Final Fantasy, de personagens que morrem no decorrer da história. Piadas à parte, é uma faixa muito interessante, muito bonita e bem bolada, chega a lembrar os rocks dos anos 80 em alguns momentos, mas é linda.

Grand Parade é uma porrada! Começa com todo o peso, mas ele parece dissolver como areias ao vento, iniciando com até mesmo um vocal mais leve, quando o front man decide aparecer, ele eleva a musica, novamente temos um espetáculo teatral, corais, orquestra épica que alguns momentos parecem os acordes de Piratas do Caribe, no entanto, a musica ganha altura e alça grandes voos, é uma pérola essa canção. Essa é a segunda canção mais longa do álbum, ela oferece um espetáculo aos ouvidos na orquestra.

Minhas impressões sobre esse álbum? É um excelente álbum de metal sifônico/power metal, sem dúvida alguma! Muito bem preparado e muito bem orquestrado, sem frescuras e muito gostoso de se ouvir.

RESENHA: ORPHANED LAND – ALL IS ONE

Por: Rodrigo Paulino

O metal é um gênero único, suas vertentes são tão amplas que algumas vezes você pode se pegar a pensar: “Bah! Onde que eu andei esses tempos que nunca tinha ouvido isso?” Isso me ocorreu no último dia do ano de 2014. Bateu aquela curiosidade para saber quem era Orphaned Land… Ví um daqueles ups que fazem com o álbum inteiro no YouTube e simplesmente me apaixonei pela banda.

Eles são israelenses, desde 1991 estão na ativa, apesar de um hiatos de 6 anos, voltaram em 2004 . O álbum que vou resenhar agora, é particularmente o meu favorito, pela sonoridade e pelas letras. A capa fala por sí.

O álbum inicia com o melhor das palmas e aquele clima israelense, mas ai você s esupreende com as guitarras e um coral maravilhoso, dando entrada ao vocalista, que possuí uma voz bem característica de habitantes do meio oriente, All Is One abre o álbum de maneira épica e, apesar do clipe ser cheio de pequenos detalhes grossos, é muito bonito. Os arranjos árabes não soam artificiais, são muito bem trabalhados e bem posicionados, o elemento folk é muito marcante, com aquelas firulas vocais e tudo mais, após um tradicional instrumental, a guitarra explode num solo feroz, com riffs e voltamos ao início da musica com aquele mesmo coral poderoso, carregado de vozes, chega a arrepiar. The Simple Man carregam uma impressão mais oriental do que sua antecessora, é mais leve, porém guitarra e bateria se fazem muito presentes, o vocal é mais ambiental, porém no refrão é muito gostoso, é uma viagem de tapete voador. Brother vem a ser uma balada acompanhada por um piano, vem lembrando mais as bandas ocidentais, o álbum como um todo trata bem das políticas e das diferenças infundadas por meio da religião, visto eles virem de um país dividido e sentido religioso, eles tratam os conflitos que eles vivem diariamente: judaísmo, cristianismo e muçulmanos se ferem em combates, tanto que a capa do álbum retrata os 3 símbolos religiosos em um único desenho.

Outra canção que merece destaque é Fail, ela trás consigo o peso que pode ser conferido nos álbuns anteriores, é uma canção bem agressiva, por sí mesma ela assusta com a fala no início. Guitarras pesadas e a bateria bem rítmica, garantem o peso. É uma música bem progressiva, o refrão dela é lindo demais, em meio a tanta violência, abre-se caminho para uma melodia de vozes tão tranquilas, que chega a destonar daquilo que você como ouvinte espera.

Existem faixas cantadas em hebraico, como Through Fire And Water, o que eu acho que seja algo muito positivo, tendo visto que o idioma materno é algo mais fácil de se expressar, a emoção é impressa na música e sentida de forma mais direta. Ya Benaye já tem mais peso o que a torna meio que indispensável numa ouvida rápida pelo álbum.

O álbum como um todo, é um daqueles que você ouve sem pular uma faixa sequer, ele é surpreendente, os convidados enriquecem mais ainda o álbum com suas vozes e cordas, é uma experiência diferente, vinda de um país que sabemos pouco com relação à sua cultura e sua relação com o metal ser um tanto que desconhecida. Espero que curtam.

Orphaned Land é:
• Kobi Farhi – vocais
• Yossi Sa’aron (Sassi) – guitarra, violão e instrumentos orientais
• Uri Zelcha – baixo
• Chen Balbus – guitarra
• Matan Shmuely – bateria

Tracklist de All Is One:
01. All Is One
02. The Simple Man
03. Brother
04. Let The Truce Be Known
05. Through Fire And Water
06. Fail
07. Freedom
08. Shama’im
09. Ya Benaye
10. Our Own Messiah
11. Children

RESENHA: KATTAH – LAPIS LAZULI

Por: Rodrigo Paulino

Kattah foi formada em 2006 em Curitiba, o nome da banda vem de um personagem criado pelo vocalista Roni Sauaf e as músicas retratam o mundo das pessoas, de ilusões à realidade, por se tratar de uma banda brasileira, carregam uma característica bem fundida ao som deles de traços da cultura brasileira.

Este ultimo álbum Lapis Lazuli, foi produzido por Roy Z e Andy Haller, que já trabalharam com SOAD, Sepultura, Judas Priest etc.

O álbum começa com Behind the Clay, uma canção bem pesada, o vocalista tem um grande poder, lembrando grandes nomes como Fabio Lioni, o lado sinfônico, presente num tempo mais “zen” da música é capaz de tirar do chão. A faixa ainda carrega um tom “faraônico”, em certos pontos a música fica apenas em voz e piano. Uma excelente faixa para abrir o álbum. Na sequencia, Inside My Head possui um tom mais melódico, mesmo sendo apenas bateria e guitarra, de maneira progressiva, a voz abafada vai ganhando poder até os vocais aparecerem totalmente de maneira progressiva. Uma variação no tom na parte do refrão dá um toque todo especial. Nessa faixa, ele utiliza diversos estilos vocais, alguns mais rápidos, outros mais rápidos, abafados , etc. Apocalypse abre com notas egípcias, o teclado fazendo um efeito cristalino e a bateria ganhando força, apesar de haver uma guitarra, ela segue o tom egípcio no inicio de forma bem leve, até então a musica engatar, ganhar velocidade e peso, sem perder o tom cristalino do teclado, o vocal nessa musica é meio travado, no entanto no refrão é totalmente libertador, essa faixa é muito gostosa de se ouvir, fechar os olhos e se deixar levar, uma hora o refrão simplesmente explode em seus ouvidos, encerrando a musica ao melhor estilo Egito.

Alpha Centaury começa com elementos que te levam a crer que é uma musica bem Nova Era, no entanto, ela tem um estilo bem rápido, desacelera no refrão, com a presença do teclado bem mais nítido na canção, mas volta com a velocidade. Interessante que apesar da musica ser agitada, o vocalista não é agitado todo o tempo, depois de um leve hiato, a musica simplesmente se desenvolve de uma vez em guitarras. Essa é uma das minhas faixas favoritas do álbum. Vetus Espiritus começa agitada, logo a voz abafada, e sobe o nível de forma que você não espera, as guitarras enlouquecem ao fundo e a voz do vocalista se encaixa tão bem ao estilo que ela flui muito fácil, essa musica também possui um solo fantástico, muito poderoso, a única coisa que não me agradou foi o fade no final da musica, no demais ela é demais. Rebirth of Pharaos já começa ao melhor estilo egípcio presente em grande parte do cd, a variação que tem nessa faixa é muito gostosa de se acompanhar, em dado momento a guitarra é abafada, e ai vem fatores que criam diferenciais em algumas bandas, ouve-se palmas ao fundo, acho interessante a utilização de palmas, assobios e outros sons não instrumentais em musicas de estúdio, outra faixa que vou arrebentar o replay.

The Hidden Voice conta com mais peso que sua antecessora, guitarra bem rítmica e é bem rápida com uma desacelerada tão cativante em dado momento que te dá a ideia de paz, seguido de um dos melhores solos que eu já ouvi, com riffs e a bateria muito bem presente. Lapis Lazuli é uma faixa abrasileirada do álbum, porém com bastante peso, é bem compassada, cantada em partes em português e inglês, gostei muito do resultado da musica, outra coisa que acho legal, o fator Folk, temos uma cantiga de “Nana Nenem”, seguido a musica normalmente, é uma faixa muito interessante, muito curiosa, o resultado é aquele: a musica tema do álbum acaba sendo realmente a cereja do bolo. A Capoeira é bem rápida, uma canção breve mas muito bem arranjada. Land Of God é uma faixa mais tranquila, daquelas que faz você parar e viajar, contem apenas o violão e o teclado em sua maior parte e a voz do vocalista que praticamente te abraça, então a bateria e a guitarra fazem sua participação, chega a ser surreal, assusta, pois você não espera que entrem dessa forma, o resultado é muito agradável.

You Will Never Be Dead, começa com um piano tranquilo, que logo ganha companhia de guitarra, mas quando a voz entra, o piano toca de forma tão doce, essa é uma das musicas mais calmas do álbum, até entrar a guitarra compassada, acho interessante a forma que essa musica evolui, ela é meio progressiva e ao mesmo tempo muito forte, possui características bem marcantes, sua velocidade oscila, no entanto quando ela é executada a todo o vapor, ela causa uma sensação muito boa. Untitled é outro instrumental ao estilo árabe, apenas vozes para terminar em Last Chance, a presença do teclado e pequenos elementos leves com guitarra logo são quebrados com a guitarra com mais ênfase e destaque, a musica se desenvolve de maneira harmônica, com direito ao teclado ao melhor estilo órgão, a musica finalmente ganha maior força depois da metade, com seu instrumental.

Gostei muito do trabalho dessa banda, o álbum é muito bem trabalhado, os arranjos muito bem compostos e o vocal sabe muito bem o que faz, recomendado para os amantes de Rhapsody Of Fire, Angra, Shaman etc.

Tracklist:

01. Behind The Clay
02. Inside My Head
03. Apocalypse
04. Alpha Centaury
05. Vetus Espiritus
06. Rebirth Of Pharaohs
07. The Hidden Voice
08. Lapis Lazuli
09. A Capoeira
10. Land Of God
11. You Will Never Be Dead
12. Untitled

RESENHA: MACHINARIA – “SACRED REVOLUTIONS, PROFANE REVELATIONS”

Por: Rodrigo Paulino

MachinariA é uma banda de Bagé (RS), que mistura o peso do trash metal, com o progressive e o heavy metal tradicional. Nessa resenha posso adiantar a todos vocês que o que mais me chamou a atenção foi a voz do vocalista Luciano Ferraz. O álbum Sacred Revolutions, Profane Revelations, traz à cena as torturas e crueldade que houveram na época da Inquisição.

A faixa de abertura, Iconoclast te leva a outro nível, corais invadem e tudo para, temos uma espaçada e bem executada instrumentação que não deixa nada a desejar, é obscuro, e os corais ajuda a manter o clima, então a faixa engata, é um misto de como se o dia a dia do ser humano estivesse ligado ao espiritual, o certo e o errado? Quem dita? Quem é o Iconoclasta? É uma música tensa, pesada em dados momentos com aqueles elementos do metal progressivo marcantes. Scapegoat os vocais mais agressivos e mais rasgados, o baterista deve ter suado um bocado para esse resultado marcante nessa música, é muito marcado por vocais rápidos e gutural no refrão, possui um dos solos mais interessantes intercalados com bateria.

Act of Justice mais uma faixa brutal, no entanto mostra muito de como o vocalista é versátil, possui uma velocidade e um peso sem igual, acompanhada da voz rouca. Vamos bangear? Essa música é um convite perfeito para isso num determinado ponto, então ela volta a um clima pesado e menos rápido, mas bem compassado. E então voltamos à agressividade, essa música é uma montanha russa. Holly Office é uma faixa cheia de cadência é uma das faixas mais dinâmicas vocalmente falando, ela se desenvolve muito bem. Em determinado momento a música adquire um tom que te faz esquecer um pouco o peso anterior para terminar com um vocal rasgado.

A faixa tema do álbum “Pictures of The Dark” começa com o peso presente em grande parte das músicas, mas o vocal de Luciano é acompanhado mais pelo baixo, no entanto o ritmo da música cresce com a guitarra, acho interessante o fator surpresa que eles imprimem nessa faixa, com o início, você não imagina que a música ganharia as proporções que ela alcança. A faixa tema “Sacred Revolutions, Profane Revelations” inicia com o baixo presente e a guitarra e abateria aparecendo com o tempo, temos uma música com início mais lento e um refrão agitado, fato, essa é a faixa mais dinâmica do álbum, tranquila, progressiva e agressiva, ela trabalha muito bem em todo o contexto do álbum. Entra naquelas faixas que te enganam: quando você acha que acabou, lá vem Luciano com guturais que arrepiam seguido de guitarras fantásticas.

New eyes, old lies é agressiva e rápida, segue bem o que as outras faixas ofereceram, no entanto, os vocais apesar de serem os mesmos ouvidos no decorrer do álbum, parece mais livre, mais solto, a música se torna cadenciada e viciante, então ela se desenrola novamente como uma locomotiva a todo vapor, o bateria pira o ouvinte também.

Shallow Grave para encerrar o álbum é levado a pitadas de mais trash, é rápida e carregada com os vocais, deixando os bangers doidos. A variação na música é bem perceptível, no seu ritmo e na sua execução, cada um tem a sua vez. Chegamos finalmente em Burning My Soul, inicia com uma reportagem, uma entrevista para ser mais exato, começando com as guitarras abrindo para o vocal rasgado, riffs, é uma faixa perfeita para um encerramento, pois ela não foge em segundo algum da proposta do álbum ou da banda. Essa música é muito pesada e muito boa para se escutar.

MachinariA é uma boa pedida para grandes fãs de heavy metal e trash metal, possui um vocalista muito versátil e é rica nos instrumentais, conseguem perfeitamente o conceito do álbum, sobre as torturas, antigas e contemporâneas. Uma grande revelação do metal nacional.

MachinariA é:

Luciano Ferraz – Vocais
Matheus Leal – Guitarra
Alan Quintana – Guitarra
Luiz Mario Moraes – Baixo
Bruno Dachi – Bateria

As faixas do álbum – “Sacred Revolutions, Profane Revelations”
1 – Iconoclast
2 – Scapegoat
3 – Act of Justice
4 – Holly Office
5 – Pictures of the Dark
6 – “Sacred Revolutions, Profane Revelations”
7 – New Eyes, Old Lies
8 – Shallow Grave
9 – Burning My Soul (BONUS)

RESENHA: ERIDANUS – HELLTHERAPY

Por: Rodrigo Paulino

Aquele momento que você volta aos anos 90, veste a roupa de universitário, joga um kilo de farinha na cara e se joga como professor Tibúrcio do seriado Cultural Ra-Tim-Bum!: Eridanus é uma constelação do hemisfério celestial sul, o “sol” dessa constelação se chama Eri… e é o nome da banda da qual vamos tratar nessa resenha.

A introdução é meio freak, uma voz fake de enfermeira com um paciente, hora da terapia… É divertido a pacas, o instrumental com teclado é bacana demais, cria uma atmosfera do que exatamente esperar desse álbum.

HellTherapy abre o álbum com baterias agressivas junto com as guitarras, o vocal é muito bom, com sustenidos e vibratos muito bem aplicados, corais ao estilo de folk metal nórdico. Riffs muito interessantes também, em momentos que a bateria para, esse foi colocado ai pra ser apreciado. O som da banda lembra metal old school mas o acabamento dela é moderno. Essa música é de bangear. Daí damos entrada para “Addicted Man”, se faz presente um pianinho bem maníaco, riffs desfilando e guitarra bem presente com o crescimento da música, o teclado novamente faz a parte de uma orquestra, assim como grande parte das músicas do estilo prog power metal, o solo é muito bem arranjado e estrategicamente posto com uma bateria rítmica, os gritos do rapaz são bem potentes… a única coisa que não me agradou foi o fim, a música não tem fim… só o fade…

Fell in lust” é aquela música que já começa com tudo, essa música muito me agradou, o ritmo dela deixa a música fluir tão bem… Sem falar que em um dado momento, a música deslancha de forma que se fechar os olhos, você faz a Leila Lopes e sente tudo girar, girar e girar… Algo nessa musica me lembrou uma das últimas aberturas que o Charlie Brown Junior fez pra Malhação. Entramos então numa música com um ar tão mágico que nossa, pausei, voltei, um coral de igreja, e então: “My Mistake”, uma balada muito poderosa, ela engrena, é algo que eu esperei quando li que a banda fazia musica lenta com estilo de coisas dos anos 80, o estilo da música é demais. Imagino um clipe pra essa música, sem brincadeira (a banda ai, se precisar de ideias para roteiros…) amei o fim dela.

Set it on fire começa tranquilinha, mas então, as guitarras dominam, fica tudo tão tenso e intenso, o refrão é bem legal, gruda com uma certa facilidade, vai ficar o resto do álbum com o “Set it on fire…” em mente. É uma música bem elaborada também, digna de clipe, tem um dos solos mais poderosos que ouvi até agora nesse álbum. “Wind” começa com o vento soprando, teclado bem presente tilintintante e bateria e guitarra, é uma música que revela algo mais, melódico… O vocal mais leve, ainda que intenso, com as guitarras acompanhando de maneira magistral.

Echoes of My Heart”, senti ouvindo uma balada dos ingleses do Queen, apenas o piano e voz, é uma música tão simpática e bonita, que os apaixonados vão sorrir, logo vai aparecer a bateria de leve, o que fará você mexer a cabeça de um lado pro outro, a música ganha poder com as guitarras no refrão e volta tudo ao normal. Gosto de músicas assim, depois temos as guitarras fazendo uma leve aparição aqui e acolá, muito bonito, muito épico ainda mais com esse solo. Música na medida certa, muito boa mesmo.

FUGA, FUGA, FUGAAAA! Correria, e as guitarras com a bateria tocando o terror! Esse é o início de “Welcome to my Paradise”, mais uma música de clipe… Para finalizar o álbum com categoria, vocal agressivo e carregado, uma coisa que achei legal em todo o álbum, é a versatilidade do vocalista, ele passa do 0-100 rapidinho. Novamente aparece um coral bem irado no decorrer da música, então ela desacelera e engrena de novo ao que era antes mas agora dando espaço para um solo, boas-vindas ao paraíso e uma explosão…

Tracklist:
1 – Time for medication
2 – HellTherapy
3 – Addicted man
4 – Fell in lust
5 – My mistakes
6 – Set it on fire
7 – Wind
8 – Echoes of my heart
9 – Welcome to my paradise

RESENHA: IN THIS MOMENT – BLACK WIDOW

Por: Rodrigo Paulino

In This Moment foi formado em 2005 pela vocalista Maria Brink e o guitarrista Chris Howorth. Suas letras se desenvolvem À partir de experiências pessoais vividas pela vocalista e abordam temas variados: vida, família, Deus, homenagens à amigos e até mesmo fases difíceis, como o fato de Maria ter sido vítima de abuso sexual pelo próprio pai e as marcas que ela carrega por isso. A cada álbum, temos uma espécie de conceito, apesar de não seguir um roteiro ou script definido, Beautiful Tragedy (2007) traz à tona o lado mais pessoal de Maria, a capa é a própria como se fosse uma boneca quebrada e possui uma sonoridade mais crua, o seu sucessor, The Dream (2008) tem como tema as utopias e sua sonoridade é um pouco mais pop-rock, apesar de Maria não economizar nos gritos, logo após temos o A Star-Crossed Wasteland, lançado em 2010, que parece um verdadeiro western, é um dos álbuns mais pesados da banda e também um dos melhores trabalhos, a sonoridade dele é maravilhosa. Em 2012 foi lançado o álbum Blood, esse álbum marcou uma mudança na banda, tem como o conceito o renascimento, a vontade de deixar um velho eu para trás e começar tudo de novo, assim como a Fênix, à partir deste álbum, a banda também resolveu colocar dançarinas com máscaras e as roupas de Maria mudando em seus shows e finalmente, nesse ano, tivemos a oportunidade de conhece o álbum que resenharei para os senhores e senhoras nesse momento: Black Widow.

O conceito desse álbum, segundo a própria vocalista, é mostrar uma garota que foi infectada pela vida, trazendo à tona seu melhor e seu pior lado e como ambos os lados podem estar ligados um ao outro. A banda quis inovar em bastante coisa no que se refere à sonoridade do álbum, Maria Brink possui uma das vozes mais ativas do Prog Metal/ Metalcore, ela grita, canta com suavidade e agressividade. Um detalhe interessante, é que na última faixa de cada álbum, com exceção do A Star-Crossed Wasteland (que possui a segunda melhor balada como encerramento, na minha opinião) ela sussurra a palavra “Believe”.

Bom, vamos falar de Black Widow?

The Infection abre o cd num instrumental que forte, de suspense e terror que logo se sintetiza com uma sirene e batidas fortes, gritos abafados e uma explosão. Sex Metal Barbie flerta com o hip hop, de forma doce e até mesmo com tom de piedade, até chegar na ponte para o refrão, onde a música cresce de maneira bela, o peso dessa música é muito belo e a forma que ela volta a forma original é deveras muito interessante, gritos ecoando, teclado rítmico, guitarras ganhando força e o fator hip hop no meio, ficou ousado e acertaram.

Uma grande sacada foi Big Bad Wolf, o clima de terror que ela consegue implantar e a forma que a progressão dela segue, é demais. Gritos, vocais leves e pesados, a musica em si é pesada, as guitarras como se estivessem caindo, e o refrão que gruda demais, é contagiante. Ela chegou a lembrar um pouco Rock Amadeus, de Falco e depois regravado pelo Edguy, mas muito mais pesado, há boatos de que essa musica foi composta em homenagem a Mike Patton, vocalista do Faith No More. Um detalhe legal nessa musica, é a forma que Maria usou sua respiração, em dado momento, a musica meio que sofre uma queda e você nota Maria gemendo, puxando o ar e até um “PUF”, efeito causado quando exageramos no P e no B quando usamos o microfone você pode notar, é tão boa essa musica, que ela acaba rápido. Acho interessante como Maria e a banda exploraram o lado pin-up, usando elementos retro como a introdução de Dirty Pretty, com um clima vintage, essa musica flerta com o estilo de Mason na fase Beautiful People, adoro o refrão dessa musica, dá vontade de cantar junto, alias, dá vontade de fazer a voz rouca de Maria em certos níveis, considero uma daquelas musicas libertadoras, que você tem vontade de ouvir e sair pela rua cantando de braços abertos, em um dado momento, você fica apenas com a batida e car@ leitor(a) isso é demais.

Usando o clima vintage, a faixa tema abre com um documentário falando sobre a perigosa Black Widow, mostrando que o macho não apresenta nenhum perigo, nessa parte, começa um clima de putz putz, com guitarras pesadas, gosto do vocal da Maria nessa música, mas essa não conseguiu me cativar tanto quanto as outras, não é uma musica ruim, o refrão dela é algo interessante, intercalando a voz da Maria mixada, com os “dan-dangerous” apresentado no inicio da musica com um “dead or alive” aos berros, isso é algo maravilhoso. Outra parte legal é quando fica apenas com o putz putz e a voz da Maria meio abafada e sim, o refrãozinho vai ficar grudado na mente de vocês. Rob Zombie ficaria com inveja.

Sexual Hallucination foi uma das faixas mais aguardadas pelos fãs, devido à participação de Brent Smith do Shinedown, é uma faixa bem diferente das demais ouvidas até agora, como se marcasse realmente o meio do álbum, é uma música mais tranquila e bem progressiva, Maria usa e abusa de sua respiração e seus vocais mais doces. Falando um pouco da colaboração, as duas bandas tocaram no Uproar Festival em 2012 e no Carnival of Madness em 2013 e foi ali formada uma amizade e respeito mutuo entre ambas as bandas. A parceria deu certo, agradou os fãs bastante.

Sick Like Me é o primeiro single a ganhar um clipe desse novo álbum, é pesada, a voz modulada e logo mais passando para um refrão muito bem elaborado e belo, fazem de sick like me uma musica viciante e daquelas que você não consegue pular, é a música que mais lembra a fase anterior da banda, no álbum Blood. Uma coisa que gosto demais nessa musica, é que a guitarra acompanha o vocal em I am beuatiful… deu um acabamento bonito.

Uma homenagem a todos os fãs de filmes clássicos de terror está contido em Bloody Creature Poster Girl, ela tem um clima tão interessante de Tim Burton, não é uma musica que você gosta de cara, você tem que ouvir ela de coração e mente abertos, pois depois ela se torna viciante. Achei uma boa sacada da banda essa musica, ela possui um lyric vídeo bem interessante, mesclando cenas de filmes como Nosferatus e A Criatura do Pântano.

Agora abro meu coração para uma das musicas que os fãs volta e meio comentam em uma das fãs pages estrangeiras da banda “The Fighter“, inicialmente apenas sendo piano e voz, ela é poderosa, a voz de Maria transmite tanto sentimento, ainda nessa fase inicial apenas de piano, a voz dela atinge tons que te arrepiam, essa musica transmite a ideia de se aceitar quem você realmente é, suas imperfeições, expondo assim o mais profundo de todos os seus sentimentos e na progressão da faixa, a banda vai crescendo como um muro ao redor do maravilhoso vocal de Maria. Na minha opinião, é a segunda musica mais emotiva desse álbum.

Para os fãs brasileiros, Bones caiu no gosto. Realmente é uma canção mais forte, remete também a álbuns anteriores como Blood e The Dream, ela tem peso e o vocal está muito poderoso. Possui um refrão muito poderoso e explosivo, expressando toda a devoção por quem resgatou seu amor. I wanna lie with your boné forever…

Natural born sinner, foi uma musica que não me cativou de primeira, sua batida depois de um tempo se torna viciante e a agressividade da voz é tão bela, a voz levemente rouca, até chegar no refrão, tão forte e poderoso… E a presença de vozes adicionais dos outros membros. Um detalhe que ela cita no inicio da musica a ocasião na qual iriam apedrejar Maria Madalena, “Então eles continuaram questionando ele, virando ele disse: ‘Aquele dentre vocês que nunca pecou, que atire a primeira pedra’”, essa musica trata daqueles que, parafraseando Dani Calabresa, são dados como “santos canonizados e pessoas sem defeitos” mas não imaginam o quão imperfeitos são. É uma reflexão muito interessante a qual a banda te convida a fazer.

Into the darkness é um diálogo entre o dark side e o White side de Maria. É um diálogo tenso, pois trata em um dado momento sobre o pai de Maria, (particularmente está sendo difícil escrever isso) então, fica aí o diálogo para vocês tirarem suas próprias conclusões, a faixa possui menos de 3 minutos, dos quais 1 minuto e 50 é Maria aos prantos:
Voz Masculina: Você me causa repulsa.

Maria: Eu sou bonita
VM: Eu te odeio.
M: Eu te amo.
VM: Como você ainda se ama?
M: Eu ainda tenho valor
VM: Você me dá nojo.
M: Eu sou pura.
VM: Vou te deixa agora
M: Por favor, não vá.
VM: Você vai arder no inferno!
M: Vou flutuar pela mortalidade.
VM: Deus não existe.
M: Deus está dentro de mim.
VM: Não me admira seu pai ter te abandonado.
M: Ele devia ter me protegido
VM: Basta dar uma olhada mais de perto
M: Não irei!
VM: Você é uma vadia!
M: Eu te perdoo.

Chegamos na faixa mais emocionante do álbum, a chuva caindo, dando a deixa para um piano melancólico e a voz dá vida a uma história, de uma garota de 16 anos que se prostitui, o interessante é o que ocorre além do piano e da voz, você nota a cidade vivendo e sirenes. Até mesmo dá entender que a jovem morre em decorrência da decadência que sua vida se tornou. “Sweetheart, you are worthless”. Em seguida, é narrada a vida de um garoto de 15 anos que se torna viciado após o pai matar sua mãe e é expulso de casa e também “quando o mundo desiste dele, ele desiste de si mesmo”, outra faixa emocionalmente carregada. O acompanhamento de voz e piano são sublimes, apesar de se tratarem de fatos tristes, Maria expõe que tais pessoas não estão esquecidas e que toda dificuldade que passemos os faz belos. O coral feminino dá um ar muito belo para essa canção. E sim, amigo e amiga leitor ou leitora, “Believe”.

IN THIS MOMENT – BLACK WIDOW
Tracklist:
1 – The Infection
2 – Sex metal Barbie
3 – Big Bad Wolf
4 – Dirtty Pretty
5 – Black Widow
6 – Sexual Hallucination
7 – Sick Like Me
8- Bloody Creature Poster Girl
9 – The Fighter
10 – Bones
11 – Natural Born Sinner
12 – Into the darkness
13 – Out of Hell

RESENHA: KONTRUST – EXPLOSITIVE

Por: Letícia Okabayashi

O quão fácil é resenhar o álbum novo de uma das minhas bandas preferidas? BEM fácil. Mas não é puxa-saquismo, não. Kontrust têm crescido e se mostrado cada vez mais no cenário e festivais europeus e o recém-lançado “Explositive”, seu quarto álbum de estúdio, tem sido muito bem criticado na mídia, principalmente na Áustria, país de origem da banda.

Estou um pouco atrasada com essa resenha por uma série de fatores, já que o cd foi lançado na Europa no último dia 7, pela Napalm Records, no mesmo dia em que tive o prazer de estar (na grade) no show de lançamento em Vienna.

Confesso que minhas expectativas quanto às músicas novas eram muito baixas, pois pela prévia que lançaram no youtube (https://www.youtube.com/watch?v=bA1vSHU0v9A) elas me pareceram muito óbvias ou simplesmente bobas. Mas não se engane, caro leitor. Ouvir parte de músicas de uma banda como essa pode te confundir, mas ao conferir uma música inteira você pode ficar atônito com tamanha diversidade em apenas alguns minutos! Aqui lhe escreve uma pessoa que na semana do show dizia que iria “pra ver as músicas antigas, já que não curtiu as novas” mas que no show em si ficou de queixo caído as assistindo e depois ouviu Explositive 30 vezes em uma semana. É sério.

Logo quando a faixa de abertura “Dance” começa, vem aquela vibe incontrolável de querer dançar e bater cabeça, com as guitarras super pesadas de Mike e a percussão precisa de Manuel quando o peso cessa. Agata e Stefan fazem seus duetos e duelos mostrando o quanto têm evoluído com o passar dos anos e são ótimos vocalistas versáteis e podendo mudar e usar suas vozes em maneiras tão diferentes como nós pobres mortais mudamos de humor/roupa.

Kontrust sendo Kontrust, cria como sempre refrões grudentos como em “Why”, “Shut Up” , “I Freak On” (que mais soa como “Africano êô”) e “Bulldozer”, esta sendo uma música bem inesperada. Como o álbum anterior, “Second Hand Wonderland”, há músicas com letras muito boas e provocativas (além das que não fazem sentido algum), notei uma característica feminista nas faixas auto-explicativas “Cosmic Girls”, “Ladies” e “This is my Show” falando de mulheres que não se mostram como sexo frágil e isso claramente me botou um sorriso no rosto. “Vienna” vem forte como um hino à capital austríaca e (eu sou suspeita pra falar) realmente nos faz associar a cidade linda à dramática faixa. “Just Propaganda”, primeiro single deste cd, faz uma crítica fortíssima ao mundo moderno, mostrada também em seu vídeo oficial (https://www.youtube.com/watch?v=mIegk9Ukx4k&list=PLaC8CxNGPvtFtTRoqzHbVI02iuwHIKcwZa).

É notória a grande influência de hard rock e metal que esse álbum tem, mas não deixando de lado todas as peripécias que caracterizam a banda misturando elementos de reggae, música eletrônica, ritmos latinos e folclóricos da antiga Europa. Apesar de bem pesado, este álbum não soa tão “sujo” quanto os anteriores e é possível ouvir todos os instrumentos nitidamente durante todas as músicas. Até mesmo o baixo, que normalmente é o instrumento mais “escondido” num álbum, se sobressai e mostra o talento de Gregor, principalmente na poderosa “Play!” e “Bad Time”, junto com a bateria executada por Roman. A música que menos me chamou atenção foi “Lucky Bastard”, a última do cd, me soando um pouco exagerada.

Em resumo: um destes cds que a gente coloca no repeat e nem vê o tempo passar pois é tão genial e diversificado que fica difícil se desprender. Uma dessas bandas que tem uma fórmula mágica pra não se repetir, e alcançou neste álbum, sem dúvidas. É uma banda fora dos padrões tradicionais e é difícil de descrever, mesmo sendo rotulada como “crossover”, então fatalmente as pessoas amam ou odeiam o estilo livre de Kontrust, que não é pra qualquer um e muito menos se você é um headbanger 666 from hell!

Tracklist:
1. Dance
2. Why
3. Just Propaganda
4. I Freak On
5. Shut Up
6. Cosmic Girls
7. Vienna
8. Bulldozer
9. Play!
10. This is My Show
11. Bad Time
12. Lucky Bastard

RESENHA: SUPREMA – TRAUMATIC SCENES

Por: Rodrigo Paulino

Traumatic Scenes tem como conceito, o filme O Invisível de 2006, um thriller sobrenatural, onde um bem sucedido autor é brutalmente atacado, dado como morto e preso entre duas realidades, a dos mortos e a dos vivos onde ele completamente invisível e a única chance dele sobreviver é descobrindo quem fez isso com ele e o motivo.

O trabalho da banda não é descrever o filme nas suas faixas, mas sim os diferentes estágios da psique humana e o parapsicológico, constantemente presentes no filme.

O álbum abre com a faixa “Marks of Time”, um poema recitado com ecos, criando sua mente para o ambiente em que se passa o álbum, dando entrada para a progressiva e poderosa “Dark Journey” é uma música que engata a primeira marcha e se desenvolve de forma interessante, é como se você estivesse meio perdido, numa busca. Uma coisa que chama muito a atenção é que você consegue definir a presença de cada um dos instrumentos presentes na canção, desde os tamborins até o tímido teclado. Confesso que gostei muito dessa faixa e sua estrutura, a bateria muito presente como é de costume das bandas do gênero e mesmo assim é uma pitada muito boa e em momentos que entra em segundo plano, ela é muito bem notada.

Rising Form the Ashes” é outra faixa bem rápida, mas porém você nota que o vocalista pega firme, a presença de corais, com hiatos de instrumentos nos quais apenas a voz ganha evidência. A letra é bem interessante, remete à cena do filme na qual a personagem descobre o que aconteceu a si mesmo e recebe a condição de fugir da morte. Nessa música você pode fechar os olhos e se deixar levar pelo solo que cresce e fica muito bonito. “Fury and Rage” é uma faixa com mais peso, é uma música por assim dizer, mais pé no freio, porém bem carregada, cria um ar que faz jus ao título. Nas letras temos uma dica a quem se refere essa letra no conceito: “A brainwash to commit the crimes for them”.

Visions from the other side” uma viagem quase que astral, é uma canção que mistura o calmo com o agressivo, o gutural que existe como segundo plano é magnífico e no refrão com o coral fica magnífico, e fica um bom tempo grudado na mente da gente. O baixo e a guitarra tem um destaque muito interessante nessa faixa. Também ganha destaque o teclado fazendo quase que o encerramento da canção. “Burning My Soul” é uma faixa progressiva, só que mais puxada para o trash, é algo bem violento, com um gutural de Victor Prospero bem puxado, alternado para o vocal limpo porém emocionalmente carregado, conduzindo até o refrão com um dueto muito bem elaborado, possui um dos melhores solos do álbum, o teclado ao estilo daqueles filmes de terror antigos é contagiante e a sensação de estar num thriller é praticamente impossível.

Depois de uma canção tão pesada, abrem-se os caminhos para um violão, e o barulho de vidro se quebrando e uma nota de destoa… Porém “Memories” abre um leque de sentimentos, a mistura da voz rouca e ao mesmo tempo suave do vocalista com o violão são um ponto alto, entra então a bateria, e logo você ouve a banda toda, com coral, com teclado, com guitarra…. Simplesmente uma balada surpreendente, com um solo que se encaixou perfeitamente com o contexto musical, é uma das canções mais belas do álbum, no filme se encaixa como as lembranças e ambições que o personagem tem nesse estado, e ver tudo o que ele pode perder se não retornar à vida.

Uma moda que está pegando em bandas ultimamente é o uso do sintetizador para criar uns efeitos legais, temos isso em “Before The End”, é uma faixa muito bem elaborada e complexa, tem a presença dosada de um coral, te leva à uma mente perturbada, talvez seja de um personagem no filme que é amigo do rapaz morto. É interessante que o solo dessa música passa do tudo ao nada de forma muito rápida.

Nightmare” volta ao estilo rápido e progressivo, outra musica que retrata uma mente desiquilibra e confusa, com medo, é muito interessante o desenrolar da canção, ela possui um riffs bem interessantes e a presença da bateria, principalmente dos pratos não passam despercebidos. Gostei desse solo também, mas o fator destaque fica num pequeno solo de bateria…. e sim, pegadinha do malandro: quando você acha que a musica acabou, ela volta e continua num instrumental que culmina em um alto “I knoooow this world is cruuuueeeel”. O final dessa música é imprevisível.

Iced Heart” é uma música bem interessante, não apenas pela sua composição, mas pelo conjunto todo da obra, ela tem um vocal bem pesado e a presença de um guitarra bem pesada junto com a voz do vocalista, mas o coral fazendo um intercalo em algumas partes, fazendo um conjunto de vozes é muito belo.

Chegamos finalmente em “Traumatic Scenes” uma música super rápida, agressiva, ela da vida a algo que no filme não consta: o destino final do personagem, como seria sua vida daquele ponto em diante? A progressão dessa musica é muito boa, o ritmo que ela mentem é extremamente agradável e rápido.

Traumatic Scenes é um excelente álbum, seu conceito é moderno, sua composição é fantástica, para quem curte peso nas musicas é uma opção super válida, possui músicas psicodélicas, músicas ao estilo trash, enfim, uma gama de canções na manga, possui também refrões que ficam bem grudados na mente. Uma boa pedida.

Faixas:
1. Marks of Time
2. Dark Journey
3. Rising from the Ashes
4. Fury and Rage
5. Visions From the Other Side
6. Burning My Soul
7. Memories
8. Before the End
9. Nightmare
10. Iced Heart
11. Traumatic Scenes