RESENHA: IN THIS MOMENT – BLACK WIDOW

Por: Rodrigo Paulino

In This Moment foi formado em 2005 pela vocalista Maria Brink e o guitarrista Chris Howorth. Suas letras se desenvolvem À partir de experiências pessoais vividas pela vocalista e abordam temas variados: vida, família, Deus, homenagens à amigos e até mesmo fases difíceis, como o fato de Maria ter sido vítima de abuso sexual pelo próprio pai e as marcas que ela carrega por isso. A cada álbum, temos uma espécie de conceito, apesar de não seguir um roteiro ou script definido, Beautiful Tragedy (2007) traz à tona o lado mais pessoal de Maria, a capa é a própria como se fosse uma boneca quebrada e possui uma sonoridade mais crua, o seu sucessor, The Dream (2008) tem como tema as utopias e sua sonoridade é um pouco mais pop-rock, apesar de Maria não economizar nos gritos, logo após temos o A Star-Crossed Wasteland, lançado em 2010, que parece um verdadeiro western, é um dos álbuns mais pesados da banda e também um dos melhores trabalhos, a sonoridade dele é maravilhosa. Em 2012 foi lançado o álbum Blood, esse álbum marcou uma mudança na banda, tem como o conceito o renascimento, a vontade de deixar um velho eu para trás e começar tudo de novo, assim como a Fênix, à partir deste álbum, a banda também resolveu colocar dançarinas com máscaras e as roupas de Maria mudando em seus shows e finalmente, nesse ano, tivemos a oportunidade de conhece o álbum que resenharei para os senhores e senhoras nesse momento: Black Widow.

O conceito desse álbum, segundo a própria vocalista, é mostrar uma garota que foi infectada pela vida, trazendo à tona seu melhor e seu pior lado e como ambos os lados podem estar ligados um ao outro. A banda quis inovar em bastante coisa no que se refere à sonoridade do álbum, Maria Brink possui uma das vozes mais ativas do Prog Metal/ Metalcore, ela grita, canta com suavidade e agressividade. Um detalhe interessante, é que na última faixa de cada álbum, com exceção do A Star-Crossed Wasteland (que possui a segunda melhor balada como encerramento, na minha opinião) ela sussurra a palavra “Believe”.

Bom, vamos falar de Black Widow?

The Infection abre o cd num instrumental que forte, de suspense e terror que logo se sintetiza com uma sirene e batidas fortes, gritos abafados e uma explosão. Sex Metal Barbie flerta com o hip hop, de forma doce e até mesmo com tom de piedade, até chegar na ponte para o refrão, onde a música cresce de maneira bela, o peso dessa música é muito belo e a forma que ela volta a forma original é deveras muito interessante, gritos ecoando, teclado rítmico, guitarras ganhando força e o fator hip hop no meio, ficou ousado e acertaram.

Uma grande sacada foi Big Bad Wolf, o clima de terror que ela consegue implantar e a forma que a progressão dela segue, é demais. Gritos, vocais leves e pesados, a musica em si é pesada, as guitarras como se estivessem caindo, e o refrão que gruda demais, é contagiante. Ela chegou a lembrar um pouco Rock Amadeus, de Falco e depois regravado pelo Edguy, mas muito mais pesado, há boatos de que essa musica foi composta em homenagem a Mike Patton, vocalista do Faith No More. Um detalhe legal nessa musica, é a forma que Maria usou sua respiração, em dado momento, a musica meio que sofre uma queda e você nota Maria gemendo, puxando o ar e até um “PUF”, efeito causado quando exageramos no P e no B quando usamos o microfone você pode notar, é tão boa essa musica, que ela acaba rápido. Acho interessante como Maria e a banda exploraram o lado pin-up, usando elementos retro como a introdução de Dirty Pretty, com um clima vintage, essa musica flerta com o estilo de Mason na fase Beautiful People, adoro o refrão dessa musica, dá vontade de cantar junto, alias, dá vontade de fazer a voz rouca de Maria em certos níveis, considero uma daquelas musicas libertadoras, que você tem vontade de ouvir e sair pela rua cantando de braços abertos, em um dado momento, você fica apenas com a batida e car@ leitor(a) isso é demais.

Usando o clima vintage, a faixa tema abre com um documentário falando sobre a perigosa Black Widow, mostrando que o macho não apresenta nenhum perigo, nessa parte, começa um clima de putz putz, com guitarras pesadas, gosto do vocal da Maria nessa música, mas essa não conseguiu me cativar tanto quanto as outras, não é uma musica ruim, o refrão dela é algo interessante, intercalando a voz da Maria mixada, com os “dan-dangerous” apresentado no inicio da musica com um “dead or alive” aos berros, isso é algo maravilhoso. Outra parte legal é quando fica apenas com o putz putz e a voz da Maria meio abafada e sim, o refrãozinho vai ficar grudado na mente de vocês. Rob Zombie ficaria com inveja.

Sexual Hallucination foi uma das faixas mais aguardadas pelos fãs, devido à participação de Brent Smith do Shinedown, é uma faixa bem diferente das demais ouvidas até agora, como se marcasse realmente o meio do álbum, é uma música mais tranquila e bem progressiva, Maria usa e abusa de sua respiração e seus vocais mais doces. Falando um pouco da colaboração, as duas bandas tocaram no Uproar Festival em 2012 e no Carnival of Madness em 2013 e foi ali formada uma amizade e respeito mutuo entre ambas as bandas. A parceria deu certo, agradou os fãs bastante.

Sick Like Me é o primeiro single a ganhar um clipe desse novo álbum, é pesada, a voz modulada e logo mais passando para um refrão muito bem elaborado e belo, fazem de sick like me uma musica viciante e daquelas que você não consegue pular, é a música que mais lembra a fase anterior da banda, no álbum Blood. Uma coisa que gosto demais nessa musica, é que a guitarra acompanha o vocal em I am beuatiful… deu um acabamento bonito.

Uma homenagem a todos os fãs de filmes clássicos de terror está contido em Bloody Creature Poster Girl, ela tem um clima tão interessante de Tim Burton, não é uma musica que você gosta de cara, você tem que ouvir ela de coração e mente abertos, pois depois ela se torna viciante. Achei uma boa sacada da banda essa musica, ela possui um lyric vídeo bem interessante, mesclando cenas de filmes como Nosferatus e A Criatura do Pântano.

Agora abro meu coração para uma das musicas que os fãs volta e meio comentam em uma das fãs pages estrangeiras da banda “The Fighter“, inicialmente apenas sendo piano e voz, ela é poderosa, a voz de Maria transmite tanto sentimento, ainda nessa fase inicial apenas de piano, a voz dela atinge tons que te arrepiam, essa musica transmite a ideia de se aceitar quem você realmente é, suas imperfeições, expondo assim o mais profundo de todos os seus sentimentos e na progressão da faixa, a banda vai crescendo como um muro ao redor do maravilhoso vocal de Maria. Na minha opinião, é a segunda musica mais emotiva desse álbum.

Para os fãs brasileiros, Bones caiu no gosto. Realmente é uma canção mais forte, remete também a álbuns anteriores como Blood e The Dream, ela tem peso e o vocal está muito poderoso. Possui um refrão muito poderoso e explosivo, expressando toda a devoção por quem resgatou seu amor. I wanna lie with your boné forever…

Natural born sinner, foi uma musica que não me cativou de primeira, sua batida depois de um tempo se torna viciante e a agressividade da voz é tão bela, a voz levemente rouca, até chegar no refrão, tão forte e poderoso… E a presença de vozes adicionais dos outros membros. Um detalhe que ela cita no inicio da musica a ocasião na qual iriam apedrejar Maria Madalena, “Então eles continuaram questionando ele, virando ele disse: ‘Aquele dentre vocês que nunca pecou, que atire a primeira pedra’”, essa musica trata daqueles que, parafraseando Dani Calabresa, são dados como “santos canonizados e pessoas sem defeitos” mas não imaginam o quão imperfeitos são. É uma reflexão muito interessante a qual a banda te convida a fazer.

Into the darkness é um diálogo entre o dark side e o White side de Maria. É um diálogo tenso, pois trata em um dado momento sobre o pai de Maria, (particularmente está sendo difícil escrever isso) então, fica aí o diálogo para vocês tirarem suas próprias conclusões, a faixa possui menos de 3 minutos, dos quais 1 minuto e 50 é Maria aos prantos:
Voz Masculina: Você me causa repulsa.

Maria: Eu sou bonita
VM: Eu te odeio.
M: Eu te amo.
VM: Como você ainda se ama?
M: Eu ainda tenho valor
VM: Você me dá nojo.
M: Eu sou pura.
VM: Vou te deixa agora
M: Por favor, não vá.
VM: Você vai arder no inferno!
M: Vou flutuar pela mortalidade.
VM: Deus não existe.
M: Deus está dentro de mim.
VM: Não me admira seu pai ter te abandonado.
M: Ele devia ter me protegido
VM: Basta dar uma olhada mais de perto
M: Não irei!
VM: Você é uma vadia!
M: Eu te perdoo.

Chegamos na faixa mais emocionante do álbum, a chuva caindo, dando a deixa para um piano melancólico e a voz dá vida a uma história, de uma garota de 16 anos que se prostitui, o interessante é o que ocorre além do piano e da voz, você nota a cidade vivendo e sirenes. Até mesmo dá entender que a jovem morre em decorrência da decadência que sua vida se tornou. “Sweetheart, you are worthless”. Em seguida, é narrada a vida de um garoto de 15 anos que se torna viciado após o pai matar sua mãe e é expulso de casa e também “quando o mundo desiste dele, ele desiste de si mesmo”, outra faixa emocionalmente carregada. O acompanhamento de voz e piano são sublimes, apesar de se tratarem de fatos tristes, Maria expõe que tais pessoas não estão esquecidas e que toda dificuldade que passemos os faz belos. O coral feminino dá um ar muito belo para essa canção. E sim, amigo e amiga leitor ou leitora, “Believe”.

IN THIS MOMENT – BLACK WIDOW
Tracklist:
1 – The Infection
2 – Sex metal Barbie
3 – Big Bad Wolf
4 – Dirtty Pretty
5 – Black Widow
6 – Sexual Hallucination
7 – Sick Like Me
8- Bloody Creature Poster Girl
9 – The Fighter
10 – Bones
11 – Natural Born Sinner
12 – Into the darkness
13 – Out of Hell

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