RESENHA: MACHINARIA – “SACRED REVOLUTIONS, PROFANE REVELATIONS”

Por: Rodrigo Paulino

MachinariA é uma banda de Bagé (RS), que mistura o peso do trash metal, com o progressive e o heavy metal tradicional. Nessa resenha posso adiantar a todos vocês que o que mais me chamou a atenção foi a voz do vocalista Luciano Ferraz. O álbum Sacred Revolutions, Profane Revelations, traz à cena as torturas e crueldade que houveram na época da Inquisição.

A faixa de abertura, Iconoclast te leva a outro nível, corais invadem e tudo para, temos uma espaçada e bem executada instrumentação que não deixa nada a desejar, é obscuro, e os corais ajuda a manter o clima, então a faixa engata, é um misto de como se o dia a dia do ser humano estivesse ligado ao espiritual, o certo e o errado? Quem dita? Quem é o Iconoclasta? É uma música tensa, pesada em dados momentos com aqueles elementos do metal progressivo marcantes. Scapegoat os vocais mais agressivos e mais rasgados, o baterista deve ter suado um bocado para esse resultado marcante nessa música, é muito marcado por vocais rápidos e gutural no refrão, possui um dos solos mais interessantes intercalados com bateria.

Act of Justice mais uma faixa brutal, no entanto mostra muito de como o vocalista é versátil, possui uma velocidade e um peso sem igual, acompanhada da voz rouca. Vamos bangear? Essa música é um convite perfeito para isso num determinado ponto, então ela volta a um clima pesado e menos rápido, mas bem compassado. E então voltamos à agressividade, essa música é uma montanha russa. Holly Office é uma faixa cheia de cadência é uma das faixas mais dinâmicas vocalmente falando, ela se desenvolve muito bem. Em determinado momento a música adquire um tom que te faz esquecer um pouco o peso anterior para terminar com um vocal rasgado.

A faixa tema do álbum “Pictures of The Dark” começa com o peso presente em grande parte das músicas, mas o vocal de Luciano é acompanhado mais pelo baixo, no entanto o ritmo da música cresce com a guitarra, acho interessante o fator surpresa que eles imprimem nessa faixa, com o início, você não imagina que a música ganharia as proporções que ela alcança. A faixa tema “Sacred Revolutions, Profane Revelations” inicia com o baixo presente e a guitarra e abateria aparecendo com o tempo, temos uma música com início mais lento e um refrão agitado, fato, essa é a faixa mais dinâmica do álbum, tranquila, progressiva e agressiva, ela trabalha muito bem em todo o contexto do álbum. Entra naquelas faixas que te enganam: quando você acha que acabou, lá vem Luciano com guturais que arrepiam seguido de guitarras fantásticas.

New eyes, old lies é agressiva e rápida, segue bem o que as outras faixas ofereceram, no entanto, os vocais apesar de serem os mesmos ouvidos no decorrer do álbum, parece mais livre, mais solto, a música se torna cadenciada e viciante, então ela se desenrola novamente como uma locomotiva a todo vapor, o bateria pira o ouvinte também.

Shallow Grave para encerrar o álbum é levado a pitadas de mais trash, é rápida e carregada com os vocais, deixando os bangers doidos. A variação na música é bem perceptível, no seu ritmo e na sua execução, cada um tem a sua vez. Chegamos finalmente em Burning My Soul, inicia com uma reportagem, uma entrevista para ser mais exato, começando com as guitarras abrindo para o vocal rasgado, riffs, é uma faixa perfeita para um encerramento, pois ela não foge em segundo algum da proposta do álbum ou da banda. Essa música é muito pesada e muito boa para se escutar.

MachinariA é uma boa pedida para grandes fãs de heavy metal e trash metal, possui um vocalista muito versátil e é rica nos instrumentais, conseguem perfeitamente o conceito do álbum, sobre as torturas, antigas e contemporâneas. Uma grande revelação do metal nacional.

MachinariA é:

Luciano Ferraz – Vocais
Matheus Leal – Guitarra
Alan Quintana – Guitarra
Luiz Mario Moraes – Baixo
Bruno Dachi – Bateria

As faixas do álbum – “Sacred Revolutions, Profane Revelations”
1 – Iconoclast
2 – Scapegoat
3 – Act of Justice
4 – Holly Office
5 – Pictures of the Dark
6 – “Sacred Revolutions, Profane Revelations”
7 – New Eyes, Old Lies
8 – Shallow Grave
9 – Burning My Soul (BONUS)

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