O ROCK’N ROLL DO AEROSMITH AINDA RONCA

Primeiro show da turnê ‘Rock’n Roll Rumble – Aerosmith Style 2016’ no Brasil dos ‘bad boys from Boston’ rolou em Porto Alegre, no Anfiteatro do Estádio Beira-Rio, na noite desta terça-feira (11)

Por Aline Cornely (jornaline@gmail.com)

Véspera do feriado do dia da criança, 11 de outubro de 2016, lua minguante no céu bem no recorte oval do Anfiteatro do Estádio Beira-Rio, em Porto Alegre, primeira capital brasileira a receber o show da turnê “Rock’n Roll Rumble – Aerosmith Style 2016”: um resumo dos 46 anos da carreira muito bem-sucedida, em meio ao excitante tripé de S, D & R’R. Sem falar no hard rock, no palco uma das bandas mais importantes de rock do planeta Terra: o Aerosmith. Pontualmente, às 22h estavam lá os sessentões Steven Tyler (vocal, piano, percussão etc., 68), Joe (Fucking) Perry (66) – como gostou de assim chamá-lo o Tyler, por diversas vezes -, Brad Whitford (guitarra base, 64), Tom Hamilton (contrabaixo, 64) e Joey Kramer (bateria, 66).

Foto: Edu Deferrari

Foto: Edu Deferrari

Apesar dos rumores do fim do rock’n roll e do fim do próprio Aerosmith – o que seria o fim da picada, os caras mostraram que seu rock ainda ronca – nome da turnê – e em alto e bom som! Os “jovens” norte-americanos estão com tudo e ofereceram um show histórico e memorável para cada um dos mais de 30 mil fãs que marcaram presença por todos os setores do estádio do Internacional.

Abertura

Antes de o show começar, os três telões (à esquerda, no centro e à direita do público) estavam tomados por informações com as redes sociais de cada um dos integrantes e da banda como um todo, além da menção ao Aero Force One, fã-clube oficial da banda. A atração de abertura foi a DJ Karine Larré que tocou por volta das 20h30, apresentando um set que misturava clássicos do rock com batidas eletrônicas.

De volta ao comando

No horário marcado no ingresso, às 22h, a chegada triunfal do Aerosmith aconteceu no escuro, com a explosão de som e luzes da canção ‘Back in the Saddle‘. Música de nome perfeito para o início do show da banda de Tyler, que chegou de ‘capa do mago’ prateada, e Perry, com uma boina cinza, meio “vovô-velhinho”, ambos de óculos-escuros. Começando com esta canção de 1976, o show todo foi uma viagem no túnel do tempo, porém com muita criatividade e inovação. Cada canção clássica do Aerosmith foi, de certo modo, reinventada para o show. No início, aquele suspense… Que som é esse? Os músicos percebem antes, os leigos só mais adiante… Os finais também são impactantes, demonstrando a dedicação que a banda ainda tem de executar canções que já tocaram milhares de vezes. Outra antigona da banda, datada de 1977, foi a bela Queens and Kings, quinta do repertório.

Foto: Edu Deferrari

Foto: Edu Deferrari

O A de Aerosmith, o A de Tyler

No inicio do show, o que mais me chamou a atenção foi a posição estratégica de Tyler. Quase todo mundo sabe que a linda logo do Aerosmith é uma letra A estilizada, com uma estrela no meio, dentro de um círculo, com asas gigantes abertas (como se fossem braços), com o carimbo do nome da banda logo abaixo, com outra fonte ultrapsicodélica. Além disso, para constar, a logomarca também esteve presente no piso de todo o palco, era o Aerosmith por todos os lados. Coisa mais linda de se ver!

Steven estava exatamente no centro da logomarca da banda, como se ele fosse esse A, na realidade, ele é. O A no nome dele se encontra no registro de nascimento, afinal foi batizado como Steven Victor ‘Tallarico’ – Tyler é mais estiloso, mesmo. Neste vídeo amador, você pode entender e concordar com minha percepção: https://www.youtube.com/watch?v=MmsYKeYLUNw.

Carisma e simpatia ímpares

Simpático, carismático e querido como é, Steven se esforçou para dizer algumas palavras em português como ‘boa noite’, ‘Porto Alegre’, ‘oi, gaúchos’…

Ele também disse, porém em inglês: “É uma honra para nós estarmos aqui! Já fazia algum tempo que não vínhamos, né?” Sim, mais de seis anos!

Foto: Edu Deferrari

Foto: Edu Deferrari

Dobradinha romântica

No início do show, Steven perguntou algumas vezes o que o público gostaria de ouvir. Ele mesmo respondeu: “- I think maybe this one!” E a banda deu início a ‘Cryin‘ para deleite absoluto de milhares de fãs com gritaria generalizada. Pra fazer a mulherada literalmente chorar de emoção, Steven solou na gaita de boca…

Na sequência, parecendo dizer ‘Come here, Baby…’ para uma fã, Steven chamou ‘Crazy’, pra galera ir à loucura total com a dobradinha dos principais hits românticos da banda, trilha sonora de muitos amores doidos mundo afora…

Infelizmente, percebi alguns breves erros na execução dessas músicas, em alguns momentos, por parte de Perry, que atrapalharam Hamilton e Kramer, mas nada grave que interrompesse o êxtase do público. Ele não executou os solos de maneira tão fiel, parecia estar com alguma dificuldade… Mudou de guitarra algumas vezes… Depois, passou.

Riffs, grooves and dance!

Ao maior estilo ‘I wanna rock and roll all night and party every day’, os momentos mais dançantes, alto-astral e felizes do show foram durante as execuções de ‘Walk this way’, ‘Dude Looks like a lady‘, ‘Rag Doll’ e ‘Love in Elevator’. Parecia que o público estava em uma festa em casa ultra-animada com a banda oficial tocando. O Aerosmith fica muito à vontade no palco e deixa a galera tri solta também.

Tyler é um animador-nato: durante Walk This Way, pede ‘put your hands in the air” e dá gritinhos de “Uhuuuuuuuuu” e a galera acompanha na voz. Essa canção começou com um groove pegado na bateria, perfeitamente bem feito pelo mestre das baquetas Kramer, que até provocou mais uma destaque por parte Tyler – ‘on the drums, Mister Joey Kramer’ -, seguido pelo riff mega-famoso de WTW, por Perry, que todo mundo reconheceu aos gritos.

Em Love in Elevator, tivemos direito ao Tyler atirado no chão e a solos vocais com a guitarra. Em Rag Doll, Perry tocou slide guitar, em alguns momentos.

Foto: Edu Deferrari

Foto: Edu Deferrari

No limite

Em tom de protesto contra os preconceitos, foi executada ‘Living on the edge‘, outro grande momento do show, quando Steven explorou o lado esquerdo do palco, chegando bem pertinho de onde eu estava! \o/

Pink Oktober

Desde o início do show, percebi os laços rosas afixados nas roupas dos integrantes e nas correias dos instrumentos. Até que, como não podia faltar, de repente, um grande laço surgiu no telão e a cor-de-rosa tomou conta, fazendo menção ao Outubro Rosa, mês de conscientização em relação à prevenção do câncer de mama. “Nós vamos cantar esta canção e esperamos que a cura seja encontrada”, disse Steven e chamou ‘Pink‘, canção perfeita para a causa. Um pouco antes, ele recebeu um grande penacho cor de rosa de uma assistente de palco em quem deu uma espécie de selinho. Quando Steven cantou o verso: “Pink, when I turn out the light”, todas as luzes do estádio realmente se apagaram e a música parou por um instante, para surpresa e êxtase da plateia.

Laçador + Joe (fucking) Perry = gauchada pira!!!

Para a surpresa e orgulho total da gauchada (ah! eu sou gaúcho), desde o início do blues ‘Stop Messin’ Around‘, em que Joe Perry assume os vocais, o telão central (do meio) projetou um vídeo que mostra Perry tocando guitarra em frente ao Laçador*, um dos principais monumentos da capital gaúcha, localizado bem na entrada da cidade, próximo ao Aeroporto Salgado Filho. Este foi o momento mais hilário de todo o show, especialmente para quem é do Rio Grande do Sul. Divertidíssimo!!! Logo após esse miniclipe, aparece uma foto de um gol de bicicleta (provavelmente de Pelé) com um carimbo do Aerosmith em verde e a legenda: Porto Alegre Working. O Estádio todo pira!!! Nesta canção sessentista, de autoria original do Fleetwood Mac, merece destaque também a participação do tecladista Buck Johnson. Após o vídeo engraçadíssimo, as projeções no telão durante esse som mostravam torres laterais e um incêndio no meio que tomava conta dos integrantes. Um fogo holográfico que praticamente incendiou o Beira-Rio!!!

*Para alegria dos fãs, além do passeio pelo Laçador, a banda também passou por uma churrascaria e um bar da cidade na segunda-feira (10).

Foto: Edu Deferrari

Foto: Edu Deferrari

Amor de fim de mundo

Antes de tocar “I don’t wanna miss a thing” – música da trilha de Armageddon, filme que tem no elenco uma de suas filhas, Liv Tyler – Steven perguntou sobre os apaixonados… “Are you in love?” Ops, estou!? E apresentou o tecladista Buck Johnson, que também é backing vocal da banda, desde 2014, na turnê “Let Rock Rule”, que passou pela Europa e Estados Unidos. A canção toda foi arrepiante demais, mas o início… Nossa!!! Foi um dos hits mais cantados pelo público de todo o show, afinal é o maior sucesso comercial do grupo. Lindo, de chorar… Aqui, as lanternas dos celulares iluminaram a penumbra do estádio <3

Cover dos monstros

Outro ponto alto do show foi a cover ‘Come Togheter” dos Beatles, clássico total do rock’n roll mundial que agrada a gregos e troianos, ainda melhor que a original, com mais peso.

Aerosmith Style 2016

Mais fashion do que nunca está o Aerosmith Style 2016. Charmosos, glamurosos, elegantes, coloridos, sexies, musos, ícones, deuses, divos, especialmente a dupla Tyler & Perry, obviamente. Todos com barbas bonitas e bem feitas… Cheios de acessórios, lenços, chapéus, colares, anéis, como sempre… Steven mostra até as unhas pintadas com uma cor escura. Joe Perry sempre mascando chicletes, o que aumenta o charme do guitarrista. De regata, Kramer tocou numa bateria que, de tão brilhante, brilha até no escuro, endossando a marca Pearl e tomou um gole de água a cada intervalo. Os ventiladores e o vento natural dão aquele toque especial aos cabelos esvoaçantes dos integrantes. Hard rock na veia!

Foto: Edu Deferrari

Foto: Edu Deferrari

Tyler de barriga chapada

Vale destacar que a cordas de Steven – as vocais – seguem as mesmas, em plena forma, alcançando todas as notas com perfeição. E a sensualidade, o poder e a energia continuam em alta. Segue dançando seus passinhos, correndo de um lado para o outro sempre com seu pedestal – que estende ao público com frequência -, se mete no meio da galera e apresenta a banda, cheio de orgulho da competência dos colegas. E mais: interage muito com Joe Perry, formando uma das imagens mais lindas de duas das maiores lendas vivas do rock’n roll mundial. A mecha branca de Perry e a mecha loira de Tyler formam uma ótima dupla! Em plena boa forma, Steven também deixou a barriga à mostra e botou muito guri novo no bolso com o corpaço que ostenta no alto de seus 68 anos. Aprovado! Palmas!!!

Pegada firme

Musicalmente, a banda segue muito firme e entrosada. Percebi alguns pequenos erros de execução, que já comentei. Da Pista Premium, onde a imprensa foi alocada, a acústica do show estava ótima, o volume perfeito, sendo possível escutar todos os instrumentos e vozes com clareza total. Enquanto os telões da esquerda e da direita ampliavam a visibilidade dos integrantes, o telão central mesclava a projeção de imagens do show com ilustrações e animações adequadas às canções.

Bis: baladas à luz das lanternas

No bis, em clima onírico, Steven Tyler surgiu dos nossos melhores sonhos, no piano de cauda Yamaha, bem pertinho do público, na ponta da passarela do palco, que adentrava a pista, para tocar ‘Dream On‘. Errou algumas notas no início, mas estava se esforçando. Para acompanhar, os fãs ligaram suas lanternas no estádio escuro! No telão, imagens de um céu no entardecer. Tyler tocou e cantou até a metade da música, quando se animou e subiu com seu pedestal em cima do piano, onde continuou até o fim da música. Perto do final da primeira música do bis, uma explosão de gelo-seco arrebatou. E para fechar com chave dourada… A doce emoção de sentir, escutar, assistir e cantar ‘Sweet Emotion’. Ao fim dessa bela canção, caiu uma linda chuva de papel picado brilhante, que deu fim de maneira delicada a um espetáculo e tanto! Ao final, Tyler apresentou novamente a banda toda, quando Perry tomou a frente para anunciar Tyler, no melhor estilo UFC. Ao final, o big-one Tyler se despede: “Thank you, baby, god bless you and good night!”

Foto: Edu Deferrari

Foto: Edu Deferrari

Já acabou?! :/ Foi incrível o quanto durou

O show todo teve quase duas horas de duração, mas nem pareceu. Não deixou os fãs cansados ou entediados. Eu saí com gostinho de quero muito mais! Mas já acabou? Podia durar a minha vida toda! Se foi o último por aqui, valeu e muito cada segundo! I didn’t miss a thing! O mais legal foi que a banda também curtiu demais a passagem por aqui e registrou muitas fotos e vídeos na sua própria página oficial no Facebook. Confira: https://www.facebook.com/aerosmith.

Antes do show em Porto Alegre, esta turnê do Aerosmith passou pela Argentina, Chile e Colômbia. Agora, a banda segue para São Paulo, no dia 15, e Recife, no dia 21, além de outros países da América Latina. Esta é a sexta passagem do Aerosmith pelo país. A primeira visita aconteceu em 1994. Depois, o grupo retornou em 2007, 2010, 2011 e 2013.

Set list do show da turnê “Rock n’ Roll Rumble – Aerosmith Style 2016” em Porto Alegre:

1. Back in the Saddle
2. Love In An Elevator
3. Cryin’
4. Crazy
5. Kings and Queens
6. Livin’ On The Edge
7. Rats in the Cellar
8. Dude (Looks Like A Lady)
9. Same Old Song And Dance
10. Monkey on my Back
11. Pink
12. Rag Doll
13. Stop Messin’ Around
14. I Don’t Want to Miss a Thing
15. Come Together
16. Walk This Way
17. Train Kept a Rollin’
BIS:
18. Dream On
19. Sweet Emotion

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AGRADECIMENTOS ESPECIAIS: Aerosmith, Hits Entretenimento, Tsslr Conteúdo e Edu Deferrari.

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