RESENHA: Angra ØMNI

Por: Rodrigo Paulino

Manos, paremos e pensemos: Uma abertura magistral, clássica, com guitarras que fazem voar, assim começa o novo álbum do Angra, com detalhes que lembram muito os trabalhos anteriores, no entanto, a sempre em ordem voz de Fábio Lione surge de forma que enriqueça com a musica, Light Of Transcedence se encaixa como uma excelente faixa de abertura. Com a presença de um coral tímido que cresce ao fundo, bateria acelerada, com certo peso, nada além da medida, tudo conversa entre si, todos os elementos presentes nessa faixa.

Aliás, algumas faixas possuem um trecho apenas orquestrado, rico e lindo! No final, cada faixa orquestrada se reúne na belíssima Infinite Nothing. Senti como se fosse um mimo e uma recapitulação de todo o álbum.

Em Travelers of time, temos a presença de Rafael Bittencourt, a voz dele vem de forma como já vimos em Secret Garden antes. Mas guardem esse menino… Rafael Bittencourt. É uma música interessante, não é muito complexa, Lione solta suas firulas num bom tempo.

Quando li que o álbum teria Sandy, sim a eterna Maria Chiquinha, a do: “Abre a porta Mariquinha…”, eu achei arriscado, por que? Simples, num mundo onde existe Sharon Den Adel, por que colocar a Sandy? O que tem haver? Bom, primeiro abri minha mente e não criei expectativas, fossem positivas ou negativas. Numa suavidade, começando com ela cantando, imaginei que teríamos ela na faixa inteira, assim como Secret Garden, a musica pega peso e o sonho, o faz de conta vira um pesadelo, pesos na guitarra, Lione surge com a os guturais de Alissa White-Gluz cantando com ele Black Widow’s Web, é um espetáculo, cada parte dessa música, ouvindo com fones, Alissa anda pela sua cabeça de um lado para o outro. Agora vem um detalhe: você se esquece do inicio da musica, porque ela assume um peso junto dos guturais, num dado momento da musica, após um solo instrumental, a musica dá uma quebrada, as vozes se unem, e a força volta com tudo, podemos ouvir os vocais limpos de Alissa bem ao fundo, é um desgraçamento lindo, voltando à paz do início da musica… APROVADISSIMO! TRAGAM SANDY MAIS VEZES TRAGAM ALISSA!

INSANIAAAAAAAAA possui uma refrão poderoso, explosivo! Você ficará dias cantando IN-SANIA-AAAAAA! O coral poderoso está presente nela, seguido de Lione cantando na paz e explodindo de novo, mas depois de um tempo, o refrão se torna grudentinho. Aprecie com moderação.

Agora vem uma das músicas que mais me tocaram, cantada somente pelo Rafael, com uma pegada mais suave, mística, foi uma faixa que me cair em  mim. Sério o instrumental é forte com violões, batuque entre vários outros instrumentos como guizos,  progressivamente ganhando um peso, e a voz desse menino! The Bottom of My Soul emociona muito, existe até um clima meio árabe, antes de um belíssimo solo, é uma faixa que te faz viajar, se emocionar com ela e crescer também. A voz de Rafael é simplesmente hipnotizante nessa canção, você não quer, mas infelizmente ela acaba. Felizmente da mesma forma que começou.

War Horns, eu achava que se tratava de um interlúdio, com uma voz abafada eletrônica, e logo na sequencia ela explode com Lione cantando, rasgando tudo mesmo, e uma musica bem pesada com seu instrumental.

Outra faixa muito boa, um dos quatro destaques que separei para esse álbum foi Caveman, é estranho e parece tudo um caos, entrando num estilo de instrumental em tons tribais e os caras cantando: OLHA O MACACO NA ARVORE/FORMOSO NAQUEL GALHO/ONDE QUE EU NÃO TÔ VENDO?/ EMBAIXO DAQUELA FLOR/ QUEM QUER MATAR O DIABO/ ATIRE A PRIMEIRA PEDRA. De repente entra Lione cantando com uma naturalidade, as batidas dessa musica são bem envolventes, mas com um certo peso presente, uma clara visão e reflexão sobre a sociedade presente nessa canção.

Em Magic Mirror, temos uma musica bem forte, com um instrumental trágico, porém sereno, na parte de solo instrumental, você chega a viajar, mais uma parte que entra para o gran finale instrumental. Após isso a musica volta com tudo, com toda a força e termina de forma serena.

Always more acaba sendo uma musica mais tranquilinha do álbum, apenas com Lione cantnado e acordes de guitarra, violão, é algo que me lembra alguma outra musica de outras eras, lembra um pouco Creed os acordes. Mas no fundo me lembrou muito sertanejo/ country. É uma boa musica, sem duvida algum, diferente.

Silence inside é o quarto destaque, uma musica sensacional, rica em detalhes, distorções, pesos, e no fim dela reina a paz, progressivamente, com os violões e baixos, bateria rítmica, batida leve nos pratos, e ela vai dando um fade que vai te guiando até….

Infinite Nothing, possui todo seu charme, passando pelas notas de todas as musicas, uma orquestra maravilhosa, acho interessante o acabamento dessa faixa, pois você sente a orquestra tocando ali na sua frente, a acústica é perfeita. O faz de conta de Black Widow’s Web é encantador. Essa faixa cresce como mágica em seus ouvidos, te leva numa viagem a cada detalhe, como se vocês estivesse no final de um filme no cinema e os créditos subindo. Sinceramente, estou arrepiado, é uma sensação que se repete desde que ouvi pela primeira vez esse álbum.

ØMNI é o 9º álbum dos caras do Angra, é um álbum empolgante, flertando um pouco das experiências mais antigas e trazendo novidades para a banda, o ouvinte não se sente incomodado com absolutamente nada, é harmonioso e muito bem-vindo.

ØMNI: Track-List
1. Light of Transcendence
2. Travelers of Time
3. Black Widow’s Web (feat. Alissa White-Gluz & Sandy)
4. Insania
5. The Bottom of My Soul
6. Warn Horns (feat. Kiko Loureiro)
7. Caveman
8. Magic Mirror
9. Always More
10. ØMNI – Silence Inside
11. ØMNI – Infinite Nothing

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