RESENHA: Smashing Pumpkins – 25.03.2015 – Citibank Hall – RJ

Smashing Pumpkins: Corgan, o guitar man

Por Aline Cornely
jornaline@gmail.com

Após o show de abertura da banda californiana Young the Giant e de um breve intervalo, a banda de rock alternativo Smashing Pumpkins, de Chicago, sobe ao palco sem pompas ou cerimônias por volta das 22h20. Nem mesmo o líder da banda, Billy Corgan ​(William Patrick Corgan)​, faz algum tipo de entrada triunfal. Não! De repente, estão todos em seus postos.

Sem telão, sem cenário, sem projeção, sem nenhum efeito especial. O Smashing Pumpkins apresentaria, a partir dali, um show de rock cru e puro, somente som e iluminação, porém, de primeira.

Com alguns quilinhos a mais e tão careca, corcunda e desengonçado (porém, tão lindo!) quanto nos anos 90, o compositor, guitarrista e vocalista aparece vestido com uma camisa acinzentada de mangas compridas, com uma estampa de um colar ao redor da cabeça, e calças de cor marrom.

Corgan e banda abrem o show com Cherub Rock, do álbum Siamese Dream. E já ganham a simpatia do público, que em sua maioria veio para ver os clássicos das décadas de 1990 e 2000. Das antigas, eles tocaram Tonight, Tonight (Mellon Collie and The Infinite Sadness), seguida por Ava Adore (Adore), Stand Inside Your Love (Machina), 1979 (Mellon), Pale Horse (Oceania), Disarm (Siamese), Bullet with butterfly wings (Mellon). Nestas, foi possível perceber Billy inovando um pouco na maneira de cantar e a banda tendo um pouco de dificuldade de acompanhá-lo, no geral. O público cantou junto, pulou, gritou e se desmontou em aplausos, uivos e outras demonstrações de gratidão.

Do novo ​e oitavo ​álbum, “Monuments to an Elegy”, foram apresentadas aquelas com maior potencial para hit: Being Beige , Drum + Fife, Monuments (faixa-título) e One and All. Na literatura, elegia é uma poesia triste, melancólica ou complacente, especialmente composta como música para funeral, ou um lamento de morte. E, realmente, algumas letras deste novo disco discorrem sobre esta temática.

Outras faixas mais underground da banda, como Drown (single) e United States (Zeitgeist), complementaram o repertório com cerca de 20 canções destes 28 anos de carreira e aproximadamente duas horas de duração.

Ao executar os hits antigos, o SP levantou o público, porém nas novas e nas mais desconhecidas, em geral, o povo agiu como se estivessem escutando-as pela primeira vez, prestando atenção, porém sem esboçar maiores reações.

​​A BANDA DE CORGAN

Acompanhado pelo guitarrista Jeff Schroeder, na banda desde 2007, do baixista Mark Stoermer (The Killers) e do baterista Brad Wilk (Rage Against The Machine e Audioslave), Corgan é e sempre foi, indiscutivelmente, o líder do Smashing Pumpkins. Porém, na formação atual, falta carisma e presença de palco. Percebe-se, em alguns momentos, uma falta de entrosamento, ainda, entre os integrantes ​o fundador da banda. Parecem músicos contratados que estão quebrando um galho. Algo como Billy Corgan e convidados tocam Smashing Pumpkins. A falta de backing vocals também é muito sentida, certamente também pelo vocalista.

A ESTRELA DO SHOW

Corgan e sua guitarra são as estrelas do show. O foco está nela. Por mais que ele não seja o guitarrista solo, é como se fosse. Ele se expressa totalmente por meio de todo o tipo de som que tira da guitarra, sua extensão. É uma virtuose instrumental, que passeia pelos estilos experimental, progressivo e alternativo, com direito a muitos efeitos. Até com os dentes, ele tocou, lembrando Jimi Hendrix.

Além de ser extremamente competente como guitarrista, vocalista e compositor, Corgan é também um grande artista. Ainda usa no palco de seu teatralismo – muito bem explorado nos videoclipes antigos – em seus gestos, caras, bocas, trejeitos e poses. Porém, tímido, Billy falou pouco com o público. `Thank you very much, Rio!` e `How are you?` foram as raras frases, além de mais alguns `Thank you` entre as canções.

A CEREJA DO BOLO

Para delírio dos fãs, após fingir o fim do show, Billy Corgan volta sozinho ao palco com um violão nos braços para um `bis`. Ele faz um suspense e toca Today (Siamese), um dos maiores sucessos da banda. O público canta junto a música inteira, adiantando o primeiro verso, inclusive. Ele realmente queria ver a galera cantando junto, deu espaço e se mostrou muito satisfeito e risonho em todos os momentos do show em que percebeu que o público estava curtindo, especialmente na última música. Na falta da guitarra, o público `solfejou` os instrumentos que faltavam, como a guitarra e os backings, praticamente `tocando junto` e fazendo Corgan gargalhar ao microfone por várias vezes.

Ao final do show, ainda no palco, atendeu alguns fãs da pista premium, autografando camisetas e discos. Bateu palmas e reverenciou o público com uma saudação de agradecimento.

​CITIBANK HALL

Com boa acústica e infraestrutura, o local do espetáculo, o Citibank Hall, fica dentro da área do Shopping Via Parque, localizado na Barra da Tijuca, na Zona Sul da capital fluminense. A noite de quarta-feira estava agradável em temperatura e o público, em sua maioria na faixa entre os 25 e 40 anos, tomou conta de cerca de metade da capacidade do espaço.

LOLLAPALOOZA​ 2015​

Young e Smashing tocam em Brasília hoje (27), no Net Live, para finalizar a passagem pelo Brasil neste domingo (29) no Lollapalooza, no Autódromo de Interlagos, em São Paulo. O show do YHG está marcado para rolar das 19h às 20h e do SP às 20h30 às 22h. Mais informações em www.lollapaloozabr.com. Os canais Bis e Multishow vão transmitir. Não perca!​

Aline Cornely

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