Apesar do atraso e com setlist reduzido, os integrantes transformaram o feriado em uma noite agradável e memorável aos fãs
Texto: Lucas Dias
Fotos: Danielle Feltrin
Após três anos desde a última apresentação em São Paulo, os fãs tiveram mais uma oportunidade de conferir uma incrível apresentação do Pain of Salvation no Carioca Club com a mesma formação de 2012: Daniel Gildenlöw nos vocais principais e guitarra, Ragnar Zolberg na guitarra e vocais, Gustaf Hielm no baixo, Léo Margarit na bateria e Daniel Karlsson nos teclados. Apesar de ter apenas um membro da formação original, encontramos um Pain of Salvation completo e íntegro, com grande aceitação da galera.
Sabíamos que o show de São Paulo teria alguma surpresa. Só não esperávamos que ela fosse surpreender, inclusive, a banda: o voo do Pain of Salvation de Curitiba para São Paulo teve um atraso de sete horas, obrigando os integrantes a saírem diretamente do aeroporto de Congonhas para a casa de shows. Isso influenciou no curto tempo de abertura dos andreenses Seventh Seal, que executaram apenas quatro canções do álbum “Mechanical Souls” (2014). Apesar do setlist reduzido, a empolgação da banda, junto a um gigante set de bateria bem no meio do palco, chamou bastante a atenção e agradou aos presentes, com o vocalista sempre ressaltando a importância de apoiarmos o metal nacional – o que não foi difícil com esses caras arrebentando no palco!

Pouco tempo após o fim da apresentação do Seventh Seal, ainda em meio às luzes altas, conversa e desatenção, começava o sample do álbum Remedy Lane (2002). Com os músicos adentrando ao palco um a um, iniciou-se então uma bela sequência de Of Two Beginnings, Ending Theme, Fandango e Trace of Blood. Essa última, sem dúvidas, um dos grandes momentos do show, com direito a refrão cantado em uníssono por todo o público presente.
Nesse momento, Daniel Gildenlöw comentou sobre sua fama de conversar bastante com o público durante seus shows. Mas, devido ao atraso, ele tinha que simplesmente seguir tocando, sem muitas interações, para que conseguisse cumprir o setlist programado. Deu então início ao riff inicial de Linoleum, e pediu que o público gritasse o mais alto possível logo de uma vez, renunciando à brincadeira que havia feito, nessa mesma música, nos shows anteriores no Rio e em Curitiba. Linoleum moveu bastante a galera, sendo, talvez, o ponto onde houve maior interação do público.

De volta a 1997, ano de lançamento do álbum Entropia, fomos presenteados com Foreword e People Passing By. Ótima escolha para os fãs mais antigos da banda. Podia-se perceber, no entanto, um cansaço evidente dos músicos, somado aos pesares de um dia onde se acorda com o pé esquerdo: a correia do baixo de Gustaf insistia em se soltar, uma corda da guitarra de Gildenlöw se rompeu, e a guitarra de Ragnar teimava em falhar de tempos em tempos. A banda soube se sobressair a todos os problemas, e ambas as músicas foram lindamente executadas, com direito aos incríveis pulos e movimentos no palco que davam ainda mais gás à apresentação.
Instrumentos deixados de lado, vocais a postos, era hora de 1979. Uma grande demonstração do porquê de Pain of Salvation não ser apenas mais uma banda entre tantas. Esse, talvez, foi o momento mais “delicado” do show, em que Daniel, com uma luz azul intensa sobre o palco, se agachou e cantou perto dos fãs, tornando o momento sublime para quem estava ali. Seguiram com Rope Ends, sem o solo de Ragnar devido a problemas técnicos, no entanto, mais uma vez, linda e emocionante. O PoS é realmente mestre quando o assunto é sentimento e autenticidade.

Por tratar-se da véspera do aniversário de Gildenlöw, os fãs entoaram um “Parabéns a Você”, bem recebido pela banda. Enquanto o vocalista comentava sobre a possibilidade de algum fã muito rico lhe presentear com um Ford Mustang ou um Dodge Challenger, uma fã preparada surgiu com um botão de rosa, em meio à multidão. Daniel aceitou o presente, e agradeceu, já que ninguém se prontificou a presenteá-lo com os carros.
Seguindo com o show, a instrumental Dryad of the Woods abriu as portas para a fantástica Beyond the Pale. É fato que, cantado a uma só voz, o verso: “Losing control and I don’t know if I am TRUE AT ALL” fez o Carioca Club tremer. A banda terminou o som, saiu do palco e a galera pediu mais. Pediram por Chain Sling. Pediram por Undertow. Mas receberam Ashes. E convenhamos, não há como argumentar contra Ashes. Os pedidos foram deixados de lado, e o público cantou junto, do início ao fim. Finalizando o setlist, uma apropriada Physics of Gridlock, com direito a coro em francês no encerramento da canção.

Resumindo, o show foi excelente. Para os fãs mais antigos, foi mágico, mais do que poderiam ter pedido. Para fãs mais recentes, uma bela demonstração do que o Pain of Salvation é capaz. A banda se despediu, deixou o palco, e o sentimento era de que havia sido tudo muito rápido. Foi tudo muito rápido. Afinal, somos humanos, e o tempo passa muito mais rápido quando estamos felizes. Somos humanos, muito mais humanos do que gostaríamos de ser – como já diria a canção “Beyond the Pale”.
Mais fotos em:
https://goo.gl/PZCPXG
Setlist:
- Of Two Beginnings
- Ending Theme
- Fandango
- A Trace of Blood
- Linoleum
- !(Foreword)
- People Passing By
- 1979
- Rope Ends
- Dryad of the Woods
- Beyond the Pale
Encore:
- Ashes
- The Physics of Gridlock

No último domingo, dia 24 de outubro, numa garoa chata da própria terra da garoa, São Paulo, pouco mais de 18hr as portas do Carioca Club, em Pinheiros, foram abertas para os fãs de um dos vocalistas mais idolatrados na cena heavy metal do mundo: Rob Halfod.
A banda mostrou um entrosamento muito grande, afinal, todos são “lendas” no cenário metal no mundo inteiro e não poderia ser diferente. A voz de Halford, apesar dos 40 anos de carreira, não cede sequer uma vez durante toda sua performance, é como se fosse uma força maior saindo dele. Assim como o vocalista, o público não cedeu ao calor e lotação que estava pairando, tendo ótimas vibrações e um clima agitado.












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